Brasília - O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco será alvo de um intenso bombardeio de perguntas de parlamentares em depoimento previsto para hoje à CPI do Banestado, comissão criada para apurar a remessa ilegal de recursos para fora do País via contas CC-5. ''O clima será de cobrança muito pesada'', avisou ontem a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que integra a comissão parlamentar de inquérito. Gustavo Franco terá de dar explicações sobre uma portaria que baixou em 1996, época em que comandava a diretoria da área internacional do BC, autorizando o transporte de valores por carros-fortes na fronteira entre Brasil e Paraguai. A base dos questionamentos dos senadores será o depoimento do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Adylson Motta. Segundo ele, a corte considerou ilegal a autorização.
Em depoimento prestado na semana passada, Motta informou à CPI que a decisão do Banco Central provocou ''enormes perdas financeiras ao País'' e disse que o ex-dirigente da instituição foi multado em R$ 23 mil por ''atos lesivos ao interesse nacional''. Franco questionou a decisão do TCU por meio de recurso.
Por causa das informações dadas pelo ministro Adylson Motta, começaram a circular boatos no Senado sobre a possibilidade de Gustavo Franco ser preso durante o depoimento. Mas Ideli Salvatti descarta essa hipótese. ''Não acredito nisso'', afirmou a petista. O líder do governo no Congresso, senador Amir Lando (PMDB-RO), avalia que o clima não será ''policialesco''. A CPI apura o desvio de US$ 30 bilhões do País por intermédio do Banestado.

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