CPI pretende viajar pelo Estado
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Marcela Rocha Mendes <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mais adiantada do que as demais, a CPI da Espionagem fará sua segunda reunião de trabalho nesta terça-feira pela manhã. O presidente da comissão, Marcelo Rangel (PPS), afirma já ter em mãos documentos - como a cópia do inquérito policial - e saber quem serão os primeiros convocados a depor, embora não adiante os nomes. ''Tivemos um início positivo. Nós já recebemos o relatório da varredura feita na Casa, o inquérito da Polícia e a informação sobre a compra dos bloqueadores de celular feita pela Assembleia Legislativa e que seriam irregulares. Vamos fazer outros pedidos, até para saber dessa empresa que vendeu os equipamentos se ela também trabalha com aparelhos de escuta.''
A estrutura de trabalho da comissão, segundo Rangel, não implica em nenhum custo a mais para a Casa. Além do apoio anunciado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública em ceder técnicos peritos e o auxílio de um delegado nas investigações, o deputado requereu a cessão de um advogado especialista no Código de Processo Penal ao Tribunal de Justiça.
A outra CPI já instalada na Casa, que apura a existência de uma suposta ''Máfia das Falências e Concordatas'', pretende passar por outras cidades paranaenses para descobrir se municípios estão sendo lesados pelo esquema. ''Será a primeira vez que uma CPI vai sair da capital. Queremos passar por Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu. Não vamos cuidar de caso por caso, mas sim ver como isso afeta regiões e municípios'', afirma o presidente da comissão Fábio Camargo (PTB).
Conforme o deputado, alguns processos de falência perduram por vários anos por interesse do proprietário da empresa e até do administrador da falência, determinado pela Justiça. Dessa forma, o empresário mantém seu padrão enquanto deixa de pagar funcionários, impostos e credores. Somente em uma das Varas que mexem com processos dessa natureza na capital haveria R$ 15 milhões represados pelas ações.
No entanto, Camargo explica que - embora tenha nomes e pretenda chamar para depor os empresários que participariam do esquema - a CPI não terá objetivo de punir ou mandar prender os envolvidos. ''Nós vamos apurar os fatos e encaminhá-los às autoridades competentes. A nossa ideia é, se encontrarmos problemas, mudar esse sistema como um todo''.


