Agência Estado
De Campinas
O estilo prende e arrebenta da CPI do Narcotráfico produziu as duas primeiras baixas no crime organizado de Campinas. Às 3h05 da madrugada de anteontem, o advogado Arthur Eugênio Mathias, apontado como o ‘‘braço jurídico’’ de uma poderosa organização de comerciantes de drogas, ladrões de carretas e policiais corruptos, foi preso por determinação judicial. Às 23h30, foi a vez de o delegado Ricardo de Lima, ex-diretor da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, ser levado para a cadeia sob acusação de corrupção passiva, tráfico de drogas, formação de quadrilha e prevaricação. Os dois deixaram o Fórum Criminal de Campinas algemados.
A CPI do Narcotráfico vai requerer a prisão de 50 policiais civis e militares, empresários, comerciantes e assaltantes envolvidos com o crime organizado em Campinas. A medida foi antecipada pelo presidente da comissão, deputado Magno Malta (PTB-ES). A CPI está convencida de que grande parte do efetivo policial está associado a quadrilhas que se dedicam ao roubo de carretas e lavagem de dinheiro do tráfico de entorpecentes. ‘‘Estamos certos de que Campinas é o coração financeiro de uma organização que tem ramificações em pelo menos 14 Estados’’, avalia Malta.
Além de formação de quadrilha, Mathias é acusado de receptação de mercadorias roubadas, associação para tráfico internacional de cocaína, corrupção e latrocínio. A comissão sustenta que o advogado é um dos principais articuladores do grupo do empresário Willian Sozza, tido como o elo financeiro e logístico do esquema montado em Campinas.
Lima foi denunciado à tarde, após depor, por irregularidades no flagrante de apreensão de 340 quilos de cocaína em 26 de janeiro. A droga, avaliada em R$ 22,2 milhões, acabou sendo roubada seis dias depois do posto do Instituto Médico-Legal (IML). A apreensão havia sido feita em Indaiatuba. Seis traficantes foram capturados pela PM, mas Lima autuou apenas cinco. Uma mulher, Sônia Aparecida Rossi, apontada como chefe da quadrilha e já condenada, foi ouvida por Lima na condição de testemunha e liberada.
O relator, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), disse que a prisão de Mathias ‘‘vai abalar o alicerce do crime’’. As ordens de prisão temporária contra o advogado e o delegado foi expedida pelo juiz-corregedor Paulo Eduardo Sorci – a de Mathias, às 2h50, enquanto era interrogado e acareado com dois assaltantes, e a de Lima, às 22h40.
Às 2h05, os deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS) e Robson Tuma (PFL-SP) deixaram discretamente o Palácio da Justiça com o texto do mandado de prisão de Mathias e seguiram até a casa do magistrado numa perua Van da PF. Sorci já aguardava os parlamentares e apenas assinou o decreto.
A decisão foi lida pelo presidente da CPI, Magno Malta. Segundo o juiz, ‘‘há indícios de autoria envolvendo o representado como participante dos crimes apurados’’. Abatido, Mathias ouviu em silêncio o anúncio da prisão. Malta pediu ao acusado que ficasse de pé. ‘‘O senhor está preso’’, ordenou. Em silêncio, o advogado estendeu os pulsos para a frente.Comissão vai requerer a prisão de 50 policiais, empresários e envolvidos na conexão criminosa em Campinas
Epitácio Pessoa/Agência EstadoNA CADEIADelegado Ricardo Lima sendo algemado após decretação de prisão pela CPI: acusação de tráfico e de corrupção

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