CPI prende ex-seguranças de PC Farias
Agência Estado
De Maceió
A CPI do Narcótrafico prendeu em flagrante, na madrugada de ontem, em Maceió, quatro ex-seguranças de PC Farias os policiais militares Reinaldo de Lima Filho, Adeildo dos Santos, José Geraldo da Silva e Josemar Faustino dos Santos sob acusação de obstruir os trabalhos da comissão e desacato à autoridade. Eles se recusaram a prestar informações à CPI.
Os responsáveis pela comissão também anunciaram a descoberta de farta documentação do deputado Augusto Farias na empresa Tigre, de segurança, e se confirmou a tentativa de suborno a um delegado feita por um jornalista do jornal da família Farias na tentativa de se impedir o indiciamento do deputado Augusto Farias.
A CPI também conseguiu fazer a ligação entre as quadrilhas de roubo de carga de Alagoas com a do Piauí. O pistoleiro Maurício Novaes, o Chapéu de Couro, que está preso, também foi indiciado por mentir à comissão. O juiz Severino Brito denunciou publicamente empresários de Alagoas por ligação com o narcótrafico. A CPI volta a funcionar com todos os seus membros em fevereiro próximo. As informações são da Agência Brasil.
Em Cuiabá (MT) o secretário estadual de Segurança Pública, Hilário Mozer Neto, foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de facilitação de fuga de três traficantes e um assaltante de banco um caso que vem sendo investigado pela CPI do Narcotráfico. A denúncia foi protocolada no Tribunal de Justiça dia 6, mas só foi divulgada ontem. Há cerca de um mês, o secretário também foi indiciado por crime de lesão corporal por ter espancado um gari.
A fuga aconteceu no dia 16 de junho, quando os detentos José Nunes Pereira Neto, Marcos Aurélio Batista Ferreira, João da Silva e Júlio Martins Júnior saíram pela porta da frente do Presídio do Carumbé depois de negociar a liberação por US$ 34 mil com agentes cacerários.
Dez servidores da Segurança Pública, entre agentes carcerários, soldados, tenente, sargento e o próprio comandante geral da Polícia Militar, coronel José Renato Martins, já foram denunciados pelo Ministério Público. Eles estão sendo processados pelos crimes de corrupção passiva, promoção e facilitação de fuga e corrupção ativa cada um com uma ou mais acusações.
O procurador-geral de Justiça, Guiomar Teodoro Borges, enfatiza na denúncia que o secretário e o comandante-geral da PM sabiam antecipadamente do plano de fuga e nada fizeram para impedi-la. As denúncias foram motivadas pela confirmação de que tanto Martins quanto Mozer sabiam do plano com antecedência e não providenciaram nenhuma ação eficiente para evitar que os presos saíssem pela porta da frente do presídio.
Ao invés de evitar a fuga uma vez que já havia uma movimentação e boatos dos presos, fizeram ao contrário alimentando o curso da ação criminosa, afirmou o procurador-geral. Para o MP, a omissão do secretário Hilário tem o mesmo valor de facilitação da fuga. Ele (Hilário) também tinha a obrigação legal de impedir a fuga, já que tinha conhecimento.
Numa crítica dura ao comportamento do comando da PM diante do plano de fuga, o MP enfatiza na ação de quatro páginas que, após o sucesso total da fuga, policiais militares saíram à caça dos fugitivos, quando não é preciso ser nenhum expert no assunto para concluir que, se realmente houvesse interesse em impedi-la, era só montar guarda do lado de fora do Presídio do Carumbé, o que não foi feito.
Diante dos indícios de que houve financiamento do narcotráfico para liberação dos traficantes, o procurador-geral designou o promotor João Augusto Gadelha para acompanhar o caso. Borges participou diretamente das investigações, acompanhando os depoimentos de todas as testemunhas. O governador Dante de Oliveira (PSDB) não quis comentar o assunto. A reportagem não localizou o secretário de Segurança Pública. Segundo sua assessoria de imprensa, ele está viajando e só retorna a Cuiabá hoje.





