Curitiba - O secretário do Emprego, Trabalho e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann confessou que a CPI do Narcotráfico não conseguiu chegar aos grandes traficantes paranaenses. Nem mesmo conseguiu desbaratar quadrilhas criminosas que atuavam e atuam no Estado. O impedimento teria sido estritamente político. ''Não acho que ele (Neves) tenha sido o mentor das principais denúncias que investigamos. Ele deu material contra muitos acusados. Mas tivemos outros apoios. Só lamento que a CPI não tenha conseguido chegar até onde deveria porque haviam interesses políticos, econômicos e de pessoas que não nos deixavam ir adiante. Não nos foi dado o direito de chegar nos grandes chefões do crime organizado no Paraná. Teríamos que chegar em políticos, empresários e banqueiros'', desabafou Padre Roque.
O próprio delegado Adauto Abreu de Oliveira, procurado semana passada pela Folha e não encontrado, confidenciou por várias vezes que não concordava com o trabalho investigativo do Gerco na época da CPI. Ele chegou a mostrar para a reportagem da Folha disquetes apreendidos com policiais militares do Gerco no interior do Estado com investigações feitas contra autoridades do Paraná e que nunca tiveram prosseguimento. Havia suspeita de extorsão, que não foi comprovada na ocasião. Numa das prisões feitas durante a passagem da CPI Nacional do Narcotráfico pelo Paraná, a do policial civil Mauro Canutto, Adauto teria discutido com policiais militares que tinham um método diferente de trabalho. Adauto preferia prender e tentar tirar confissão ou informações através de oitivas e tomada de depoimentos. Método que não seria o mesmo praticado pelo grupo na época da CPI do Narcotráfico.
O trabalho desenvolvido por Adauto frente ao Grupo Força Especial de Repressão Antitóxicos (Fera) rendeu homenagens inclusive em Brasília e o cargo de Corregedor Geral da Polícia Civil, no governo Jaime Lerner (PSB). Adauto acabou assumindo depois como delegado-geral da Polícia Civil no governo Roberto Requião (PMDB), mas deixou o cargo por divergências pessoais com o secretário Luiz Fernando Delazari. Um dos delegados que trabalhou na ocasião com os promotores da PIC e com os deputados federais da CPI do Narcotráfico e que pediu para não ser identificado na reportagem contou que, no início, as investigações foram realizadas de forma séria.
''Eu acho que no começo não era um jogo de cartas marcadas (enquanto Adauto atuava firmemente nas investigações). Estávamos investigando os traficantes e os traficantes policiais e tínhamos todo um caminho a ser seguido e que necessitava de confirmação, provas. Entretanto, a CPI resolveu vir cedo demais para o Paraná e passaram (os parlamentares) a dar crédito para os traficantes que começaram a perseguir delegados e pessoas que não estavam envolvidas no esquema. O que realmente interessava ficou para segundo plano porque certas personagens davam mais Ibope, mesmo que não estivessem diretamente envolvidas. Montaram um circo e nada do que apontaram se restou provado. Foi o caso do Noronha'', considerou o delegado, que não faz parte do grupo de Noronha e sempre fez oposição ao estilo de investigação do ex-delegado geral da Polícia Civil.

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