CPI poupa secretário da Segurança
CRIME ORGANIZADO CPI poupa secretário da Segurança Acordo garantiu saída tranquila a Cândido Martins, acusado de conivência no envolvimento da Polícia com o narcotráfico Leandro Donatti De Curitiba A CPI do Narcotráfico poupou de constrangimentos o secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, que ganhou sobrevida dentro do governo depois de seu depoimento à comissão na madrugada de ontem. Um acordo político firmado nos bastidores entre representantes do governo e alguns integrantes da CPI garantiu ao secretário saída tranquila e sem mácula das investigações. Candinho foi colocado sob suspeita por testemunhas da CPI, que o acusaram de conivência com a rede de drogas mantida na Polícia e com o desmanche de carros no Paraná. Dos deputados federais que ouviram Candinho ontem por volta das 2h30, no encerramento das atividades da CPI no Paraná, apenas Roque Zimmermann (PT-PR) e Robson Tuma (PFL-SP) não pouparam questionamentos. Os demais parlamentares fizeram discursos suaves e não inquiriram o secretário, que foi à CPI acompanhado por vários secretários convocados pelo governo para dar apoio. O tratamento privilegiado revoltou alguns representantes do Ministério Público que acompanhavam o depoimento. Os procuradores ficaram mais desgostosos ainda com a confirmação feita por Padre Roque: Alguns temas foram excluídos a pedido do governo do Estado, confirmou. Padre Roque explicou que o secretário estava inclinado a não atender o chamado da CPI com medo de superexposição e temas de ordem pessoal, razões pelas quais o governo passou o dia de anteontem negociando com a comissão a melhor forma de ele depor. O secretário queria ser ouvido reservadamente. A Comissão não aceitou o pedido, por entender que o secretário não preenchia os requisitos de testemunha com risco de vida ou de retaliação. Porém, cedeu ao vetar informalmente abordagens mais específicas. O presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES), tratou de se defender. Negou a existência de acordo dizendo que a CPI ainda não está concluída. Eles fizeram condições de que não houvesse bate-boca, admitiu. O vazamento do pacto de boa vizinhança entre governo e alguns integrantes da CPI veio minutos antes de Malta preparar-se para retornar a Vitória (ES). Para quem ficou, o mal-estar foi patente. Eu não poupei ninguém. O que percebi foi que o secretário tentou insinuar que alguns membros do governo abordaram a CPI, disse Robson. O deputado foi ácido com Cândido Martins. Perguntou do suposto atentado sofrido pelo secretário em 1997, cujas investigações vinham sendo tocadas por João Ricardo Képes Noronha exonerado da função; e do grau de cumplicidade do secretário com Noronha e o ex-delegado do Centro de Operações da Polícia Especial (Cope) Mário Ramos. Um deputado da comissão que pediu sigilo disse que a CPI decidiu recuar quando chegou ao seu conhecimento que o secretário será afastado da pasta a curto prazo. Temos documentos que mostram que ele sabia de muita coisa. Mas sugerir sua prisão ou forçar agora poderia criar crise política desnecessária, assinalou.





