O sub-relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista que apura irregularidades em contratos dos Correios, deputado federal Gustavo Fruet (PMDB-PR), protocolou ontem um requerimento pedindo a quebra do sigilo bancário da assessora do deputado José Janene (PP), Rosa Alice Valente.
Rosa, que trabalha no escritório político de Janene em Londrina, foi citada no depoimento do sócio-proprietário da corretora Bônus-Banval, Enivaldo Quadrado. ''Ela recebeu depósitos da Bônus-Banval e segundo ele (Quadrado), atendendo orientação da Natimar'', relatou Fruet.
De acordo com as declarações do empresário, Rosa teria sido a destinatária de quadro depósitos em agências bancárias de Londrina, que totalizam R$ 113 mil, entre junho e setembro de 2004. O dinheiro teria sido depositado nas agências do Banco do Brasil e do Unibanco, ambas da Avenida Tiradentes (zona oeste).
''A Bônus-Banval foi a empresa que recebeu recursos do Rogério Tolentino, sócio do Marcos Valério de Souza, e da 2S Produções, de propriedade do Marcos Valério. Foi essa corretora que recebeu aproximadamente R$ 3,9 milhões para pagar indicados do PP, segundo o Enivaldo e Marcos Valério. Em função disso, começamos na semana passada a identificar os beneficiários dos depósitos e apareceu ela'', esclareceu Fruet. Além de Rosa, o requerimento atinge também outras 15 pessoas citadas por Quadrado. O requerimento deve ser votado na sessão de hoje da CPI.
A Folha tentou entrar em contato com Rosa, mas a informação obtida no escritório de Janene, é de que ela estaria em licença para tratamento médico. Janene classificou o pedido de quebra de sigilo bancário da assessora como ''forma de fazer notícia''. ''Já foi oferecida a quebra do sigilo bancário de todos os assessores. Estou tranquilo em relação a isso. É uma coisa que já foi explicada e não tem nada a ver. Trata-se de transferências feitas por ela'', explicou o deputado.

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