CPI pede indiciamento de Delúbio e Valério
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sexta-feira, 11 de novembro de 2005
Fernanda Krakovics<br>Folhapress 
Fernanda Krakovics
Folhapress
Brasília - Relatório parcial da CPI dos Correios, apresentado ontem, pediu o indiciamento do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do publicitário Marcos Valério de Souza em cinco crimes, entre eles lavagem de dinheiro e caixa dois em campanhas eleitorais. Os crimes teriam sido cometidos na montagem de uma suposta estrutura para desviar recursos públicos, promover o financiamento partidário escuso e traficar influências.
A necessidade de financiamento de um partido político, ou de diversos partidos da base aliada, serviu de pretexto para que fosse constituída uma articulada e consistente estrutura para desviar recursos públicos, promover o financiamento partidário escuso e traficar influências, afirma o relatório, que tem 52 páginas.
Em uma manobra para atrasar a votação do relatório, parlamentares do PT pediram vistas do documento alegando que o material é tendencioso e incompleto. Os petistas querem a inclusão de irregularidades no financiamento de campanhas tucanas, como a do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que também teriam utilizado esquema montado por Marcos Valério.
Eu também tenho muita convicção de que a tese dos empréstimos [bancários] é estranhíssima, mas esse procedimento não começou em 2003. Esse relatório nem cita os empréstimos de 1998 [Azeredo], disse a senadora Ideli Salvatti (PT-SC).
O sub-relator de movimentação financeira, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), autor do relatório, classificou a atitude dos petistas como chantagem, disse que o documento é preliminar e que a CPI ainda não recebeu dados do período de 1998 a 2000.
A armadilha é cair em uma chantagem, só votam se for incluído o que querem. Estou procurando ser honesto. A quebra de sigilo era referente aos últimos cinco anos, mas foi ampliada para 1998. Esses dados não chegaram ainda e as operações são diferentes, afirmou Fruet.
Foi concedido um prazo de cinco dias úteis para a análise do documento. Se for aprovado, o relatório será encaminhado para o Ministério Público, Polícia Federal, Receita Federal, Tribunal de Contas da União, Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários.
De acordo com o parecer de Fruet, os principais operadores desse esquema eram Valério e Delúbio, que teriam se colocado acima das leis, do Estado e da Justiça e se dedicaram à tarefa de subtrair dos cofres públicos recursos que foram destinados a integrantes da base aliada.
Foi pedido o indiciamento dos dois por falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, crime eleitoral (caixa dois) e improbidade administrativa. No decorrer do relatório também são citados tráfico de influência, crime contra o sistema financeiro e contra a ordem tributária, fraudes contábil e processual.


