Agora está nas mãos da Justiça a decisão sobre a exumação ou não do corpo do ex-diretor da Banestado Leasing e ex-secretário de Estado de Esporte e Turismo, Osvaldo Magalhães dos Santos. Depois de ouvir vários depoimentos e avaliar os documentos referentes à morte do ex-secretário, a CPI do Banestado concluiu que houve uma série de irregularidades no processo pós-morte do ex-secretário e aprovou o pedido de exumação do corpo. Caso, a Justiça acolha o pedido, após a exumação, será feito ainda exame de DNA para verificar se o corpo enterrado no Cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba, é mesmo de Osvaldinho, como era conhecido.
O ex-secretário morreu em setembro de 1998, ao bater o veículo que dirigia, um Ômega, contra um caminhão, na BR-277, em Palmeira (40 quilômetros ao sul de Ponta Grossa). Na época ele estava sendo investigado pelo Ministério Público, acusado de causar prejuízo de R$ 600 milhões ao Banestado, por ter autorizado quase 30 empréstimos a empresas que não tinham condições financeiras de devolver o dinheiro.
Desde o início, houve boatos de que ele teria forjado a própria morte e que estaria vivendo no exterior. Com o acidente, o corpo ficou mutilado, o rosto irreconhecível e o caixão permaneceu fechado durante o velório. Segundo o relator da CPI, deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB), todos os procedimentos feitos depois da morte do ex-secretário foram irregulares. No Instituto Médico Legal (IML) de Ponta Grossa, onde o corpo foi encaminhado inicialmente, a folha de registro onde constava a entrada do corpo do ex-secretário foi simplesmente rasgada. O procedimento é ilegal, já que trata-se de um livro oficial, numerado. No caso do corpo ser transferido para Curitiba, como aconteceu, o correto seria escrever esta informação no livro e não retirar a folha.
Em Curitiba, o IML não fez os laudos da arcada dentária e datiloscópico (impressões digitais) para reconhecimento do morto, apesar do corpo estar irreconhecível. O médico legista Carlos Alberto Siega, que assinou o laudo de morte, também confirmou em depoimento à CPI, na segunda-feira, que o laudo se restringiu a descrever as lesões encontradas, e concordou com a necessidade de se fazer um teste de DNA para comprovar a identidade do morto.
Dados do IML constantes no laudo cadavérico de Osvaldinho, segundo o deputado, também não coincidem com a descrição do ex-secretário. Segundo o laudo, o morto teria 1,74m de altura e cabelos grisalhos, quando o ex-secretário media 1,62m e tinha cabelos castanhos.
Outras informações curiosas apontadas pela CPI são o fato do CPF e do documento de identidade do ex-secretário continuarem válidos junto à Receita Federal e Instituto de Identificação. (M.G.)

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