Brasília - O presidente em exercício da CPI do Apagão Aéreo da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), encaminhou ontem ofícios aos ministros Tarso Genro (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa) para pedir que a Polícia Federal e a Aeronáutica instaurem inquéritos para apurar o vazamento de informações das caixas-pretas do Airbus-A320 da TAM.
Cunha também encaminhou ofício ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), cobrando investigações sobre o vazamento. O deputado acredita que as informações sigilosas só podem ter sido divulgadas antes da CPI torná-las públicas por integrantes do governo federal ou da própria Aeronáutica.
Na opinião de Cunha, está ''claro'' que nenhum integrante da CPI vazou as informações, uma vez que os dados foram trancados em um cofre da comissão e abertos somente no dia seguinte, na presença de vários parlamentares.
A CPI decidiu revelar os dados das caixas-pretas depois que a imprensa divulgou partes de seu conteúdo. Ontem, integrantes das CPIs da Câmara e do Senado trocaram acusações sobre o sigilo das informações.
O presidente e o relator da CPI do Senado, senadores Tião Viana (PT-AC) e Demóstenes Torres (DEM-GO), respectivamente, afirmaram que o Congresso deveria manter os diálogos sob sigilo como determina a legislação internacional do setor aéreo. Sem citar diretamente os deputados, Demóstenes afirmou que a divulgação dos diálogos configura quebra de decoro parlamentar. ''A hipótese mais plausível é a quebra de decoro. O parlamentar deveria perder o seu mandato'', defendeu.
Irritado com as críticas dos senadores, o presidente interino da CPI da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que a comissão tem autonomia para revelar o conteúdo das transcrições, uma vez que elas já haviam sido divulgadas pela imprensa.

mockup