CPI pede a quebra de sigilos de Diniz
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quarta-feira, 13 de julho de 2005
Folhapress 
Brasília - Os integrantes da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Bingos aprovaram ontem o requerimento, do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que pede a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz. O ex-assessor pediu demissão em agosto de 2004, após a divulgação de uma gravação em que surge numa negociação de propina. O escândalo foi o estopim da criação da atual CPI, que ontem tomou depoimento do empresário conhecido como Carlinhos Cachoeira, que também aparece na gravação e foi identificado como responsável pela fita.
Pivô da principal crise do governo em 2004, o então braço-direito de Dirceu Waldomiro Diniz foi flagrado em vídeo negociando propina com Cachoeira. A fita foi gravada pelo próprio empresário, em 2002. À época, Waldomiro presidia a Loterj (Loteria do Rio). As imagens foram divulgadas pela revista ''Época'', no dia 13 de fevereiro do ano passado, e abalaram o então ministro Dirceu.
Cachoeira afirmou ontem à CPI que o ex-subchefe da Casa Civil Waldomiro Diniz agia sozinho em esquema de cobrança de propina. Em todo o momento ele evitou qualquer ligação entre a atuação de Waldomiro e Dirceu. Cachoeira também acusou o subprocurador da República José Roberto Santoro, que o PT diz ser ligado ao PSDB, de omissão.
Alguns senadores da oposição reclamaram de ''blindagem'' a Dirceu e sinalizaram que Cachoeira estaria protegendo integrantes do PT. ''Ele está tentando salvar alguém do governo, responsabilizar somente o Waldomiro para não chegar no Dirceu'', disse o senador Leonel Pavan (PSDB-SC).
Segundo o relator da CPI, Garibaldi Alves (PMDB-RN), Dirceu o procurou na quinta-feira passada e pediu para não ser convocado. ''Ele estava antecipando uma defesa para não permitir que o nome dele fosse levado de roldão'', afirmou o senador. Na Câmara, Dirceu negou o contato com o relator da CPI. ''Quero esclarecer à Casa e ao país que não o fiz (pedido para não ser chamado). O que expus ao senador Garibaldi é que houve, sim, uma CPI do caso Waldomiro no Rio, local dos fatos. Não sou sequer citado, o que pedi ao Garibaldi foi justiça.''
A maioria dos integrantes da comissão justificou a não-convocação de Dirceu pela ausência de um fato concreto contra ele. ''Para ser chamado, precisa haver um fato, o que ainda não foi apresentado'', disse o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
No depoimento à CPI, Cachoeira disse ter procurado Santoro, na véspera da publicação, para entregar as fitas. ''No final de março de 2003 procurei o subprocurador José Roberto Santoro. Disse que Waldomiro poderia ter interferido no contrato. Santoro não tomou meu depoimento'', afirmou Cachoeira. O empresário disse ainda ter relato que tinha um vídeo sobre cobrança de propina o ex-assessor da Casa Civil. ''Ele (Santoro) queria esquentar a fita que já estava em mãos'', disse Cachoeira. Segundo o empresário, seu ex-assessor de imprensa Mino Pedrosa entregou o vídeo à imprensa. A assessoria de Santoro informou que ele está em férias até agosto e disse não ter contato com ele no período.
À CPI, Cachoeira disse que Waldomiro pediu propina de R$ 100 mil a R$ 300 mil em troca de favorecimento em licitação e ainda pediu dinheiro para campanhas eleitorais da ex-ministra Benedita da Silva (PT), do então candidato do PT ao governo do Distrito Federal Geraldo Magela e da governadora do Rio, Rosinha Garotinho (PMDB). ''Sobre o Magela, ele mentiu à imprensa, nunca pediu'', afirmou Cachoeira em defesa do petista. O empresário afirmou acreditar que Waldomiro recolhia a propina para uso próprio. ''Não acredito que esse dinheiro era para campanha. Era para ele'', afirmou.
Como assessor da Casa Civil, Waldomiro, segundo Cachoeira, intermediou a renovação do contrato entre a multinacional Gtech do Brasil e a Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 25 milhões por mês. Segundo o Ministério Público Federal, o negócio prejudicou a estatal. A CEF e a empresa negam favorecimento e intermediação de Waldomiro.


