Os membros da subcomissão da CPI do Narcotráfico da Assembléia Legislativa informaram ontem, durante abertura dos trabalhos em Foz do Iguaçu, que vão colher depoimentos de 10 a 15 presos em Medianeira (65 quilômetros a nordeste de Foz). Os detentos, grande parte envolvidos com tráfico de drogas, serão interrogados na quinta-feira. O prazo previsto para o término dos depoimentos na região Oeste é sexta-feira.
Os deputados acreditam que as informações a serem colhidas possibilitarão chegar aos líderes das quadrilhas de tráfico de drogas no Paraná e do Brasil. Para hoje está marcada uma reunião com o delegado Valter Diniz Paes, que passará dados sobre a situação da delegacia. Com capacidade para 26 presos, ela está com 109 detentos. Destes, 69 são acusados de tráfico de drogas. O depósito da delegacia guarda 1.227 quilos de maconha, 530 gramas de cocaína e quase nove mil frascos de lança-perfume.
Ontem, os deputados Chico Noroeste (PFL), Tiago de Amorin Novaes (PPB) e Serafina Carrijo (PL) iniciaram os trabalhos em Foz sem apresentar novidades. A abertura, na Câmara de Vereadores, serviu apenas para os deputados divulgarem o relatório parcial das investigações desenvolvidas no Estado. Eles destacaram as prisões de oito traficantes (dois deles ligados ao Cartel de Cali) e os 366 depoimentos colhidos desde a criação da CPI.
Tiago frisou a importância da segunda passagem da subcomissão – a primeira ocorreu em dezembro de 1999. Diante de representantes das Polícias Federal, Civil e Militar, do Exército e da Aeronáutica, ele disse não ser ‘‘normal uma apreensão de 1 tonelada de maconha, como a que ocorreu em Guaíra (158 quilômetros ao norte de Cascavel). Isso precisa ser investigado. Precisamos da colaboração de todos, apesar das ameaças de morte feitas para intimidar a investigação’’, disse.
A sessão na Câmara tinha como objetivo a entrega de um dossiê montado com informações colhidas pela Comissão de Inquérito da Casa durante seis meses, mas o repasse dos documentos não aconteceu. O vereador Sérgio de Oliveira (PFL), que presidiu a CI, explicou que o dossiê estava no Ministério Público por segurança. Segundo ele, a estrutura do Legislativo não é o suficiente para armazenar ‘‘dados tão sigilosos e comprometedores’’. Através de um disque-denúncia, foram gravadas 22 fitas, com acusações a várias pessoas. O dossiê iria ser retirado do Fórum ontem à tarde pelos deputados estaduais.
Além de Tiago e Noroeste, também está na cidade a deputada Serafina Carrijo (PL). Na quinta-feira, quando serão ouvidos os presos em Medianeira, devem chegar os deputados Algaci Túlio (PTB), presidente da CPI; Ricardo Chaves (PTB), Ricardo Maia (PSB) e Fernando Ribas Carli (PPB).

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