CPI ouve suspeitos em Medianeira
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terça-feira, 07 de novembro de 2000
Alexandre Palmar De Foz do Iguaçu 
Os membros da subcomissão da CPI do Narcotráfico da Assembléia Legislativa informaram ontem, durante abertura dos trabalhos em Foz do Iguaçu, que vão colher depoimentos de 10 a 15 presos em Medianeira (65 quilômetros a nordeste de Foz). Os detentos, grande parte envolvidos com tráfico de drogas, serão interrogados na quinta-feira. O prazo previsto para o término dos depoimentos na região Oeste é sexta-feira.
Os deputados acreditam que as informações a serem colhidas possibilitarão chegar aos líderes das quadrilhas de tráfico de drogas no Paraná e do Brasil. Para hoje está marcada uma reunião com o delegado Valter Diniz Paes, que passará dados sobre a situação da delegacia. Com capacidade para 26 presos, ela está com 109 detentos. Destes, 69 são acusados de tráfico de drogas. O depósito da delegacia guarda 1.227 quilos de maconha, 530 gramas de cocaína e quase nove mil frascos de lança-perfume.
Ontem, os deputados Chico Noroeste (PFL), Tiago de Amorin Novaes (PPB) e Serafina Carrijo (PL) iniciaram os trabalhos em Foz sem apresentar novidades. A abertura, na Câmara de Vereadores, serviu apenas para os deputados divulgarem o relatório parcial das investigações desenvolvidas no Estado. Eles destacaram as prisões de oito traficantes (dois deles ligados ao Cartel de Cali) e os 366 depoimentos colhidos desde a criação da CPI.
Tiago frisou a importância da segunda passagem da subcomissão a primeira ocorreu em dezembro de 1999. Diante de representantes das Polícias Federal, Civil e Militar, do Exército e da Aeronáutica, ele disse não ser normal uma apreensão de 1 tonelada de maconha, como a que ocorreu em Guaíra (158 quilômetros ao norte de Cascavel). Isso precisa ser investigado. Precisamos da colaboração de todos, apesar das ameaças de morte feitas para intimidar a investigação, disse.
A sessão na Câmara tinha como objetivo a entrega de um dossiê montado com informações colhidas pela Comissão de Inquérito da Casa durante seis meses, mas o repasse dos documentos não aconteceu. O vereador Sérgio de Oliveira (PFL), que presidiu a CI, explicou que o dossiê estava no Ministério Público por segurança. Segundo ele, a estrutura do Legislativo não é o suficiente para armazenar dados tão sigilosos e comprometedores. Através de um disque-denúncia, foram gravadas 22 fitas, com acusações a várias pessoas. O dossiê iria ser retirado do Fórum ontem à tarde pelos deputados estaduais.
Além de Tiago e Noroeste, também está na cidade a deputada Serafina Carrijo (PL). Na quinta-feira, quando serão ouvidos os presos em Medianeira, devem chegar os deputados Algaci Túlio (PTB), presidente da CPI; Ricardo Chaves (PTB), Ricardo Maia (PSB) e Fernando Ribas Carli (PPB).


