CPI ouve na terça acusado de corretagem de sentenças
Nelson Francisco
Agência Estado
De Cuiabá
A CPI do Judiciário no Senado vai ouvir na terça-feira o empresário Josino Guimarães e o advogado Marco Aurélio Rodrigues, acusados de venda e corretagem de sentença no Tribunal de Justiça (TJ) de Mato Grosso. Um dos desembargadores denunciados, Athaíde Monteiro Filho, disse que não vai depor à CPI. Ele deve interpor, nos próximos dias, mandado de segurança com pedido de liminar no STF para não depor em Brasília, embora aceite a quebra de sigilo bancário, telefônico e fiscal.
O desembargador negou ontem qualquer envolvimento na suposta extorsão revelada pelo deputado Elarmim Miranda (PMDB) à CPI do Judiciário. A explanação do Dr. Elarmin é rica e fértil em detalhes em torno da suposta conduta do Sr. Josino, mas é infundada, inteiramente, em relação à minha pessoa, disse Monteiro, após ouvir a gravação do depoimento do deputado.
O advogado e deputado estadual confirmou denúncias contra Guimarães e Monteiro. Miranda pôs-se como uma das testemunhas de uma suposta negociação de sentença, iniciada no escritório dele, entre Guimarães e Rodrigues, de Frutal (MG). Ele afirmou que a família de Rodrigues teria pago a Guimarães, como exigência de Monteiro Filho, uma quantia de R$ 70 mil, em duas parcelas de R$ 35 mil. Um dos comprovantes de depósito estaria, segundo ele, em poder da Polícia Federal.
Miranda afirma que Guimarães, acusado de intermediar venda de sentenças , dizia-se assessor de nove dos 20 desembargadores de Mato Grosso. Porém, só revelou o nome de Monteiro Filho, o mais antigo dos 20 do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado. Além de Miranda, prestaram depoimento hoje à CPI e falaram sobre a mesma denúncia os advogados Lucídio de Melo Filho e Elizabeth Miranda Rocha. Os três põem-se na condição de testemunhas de um telefonema dado por Guimarães a Athaíde.
Rodrigues nega a venda de sentença. Houve extorsão para que o direito do meu sogro fosse garantido, admitiu. Ele disse que esteve em Cuiabá, em fevereiro, acompanhando o sogro, mas não na condição de advogado e tampouco de procurador-geral de Frutal (MG). Evitando falar em valor, Rodrigues revela que a negociação teria sido feita por Queiroz Filho diretamente com Guimarães, que teria usado o nome de Monteiro Filho. Ele garantiu que Miranda foi contratado para atuar como advogado na ação. Temendo pela integridade física, Rodrigues diz-se disposto a prestar todos os esclarecimentos à CPI do Judiciário.





