CPI ouve médico sobre atestado de Alcides Ramos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
Apucarana - O médico psiquiatra Fábio Tucunduva de Moura, de Londrina, foi ouvido ontem na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instaurada na Câmara de Vereadores de Apucarana para investigar a conduta do vereador Alcides Ramos (DEM). O vereador está afastado por 40 dias, por licença médica assinada por Tucunduva, que vence no final do mês. Foi o primeiro depoimento desde que a CPI começou os trabalhos.
Segundo a presidente da comissão, vereadora Aurita Bertoli (PT), a presença do médico "foi importante para esclarecermos em que condições ele (Ramos) está afastado, afinal ele não assumiu o cargo neste mandato, mas tem sido visto pela cidade em lanchonetes e restaurantes". Ela explicou que o médico contribuiu com os trabalhos e respondeu a maioria das perguntas. "Algumas questões tem sigilo profissional e respeitamos."
Ramos, que foi reeleito para o cargo, responde por suposto desvio de dinheiro público, abuso de poder político e compra de votos nas eleições. Ficou preso por cerca de três meses por conta de investigação conduzida pelo Ministério Público (MP) do Paraná e chegou a perder o mandato. Após reverter a cassação, conseguiu também habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para deixar a prisão, mas não assumiu, apresentando atestado médico no último dia 24 de junho, renovando a licença junto à Câmara.
"O médico explicou que quando foi feita consulta, há mais de um mês, Ramos apresentava um quadro de depressão leve, então passou o tratamento necessário, mas se foi seguido devidamente pelo vereador ele não sabe dizer", contou Aurita. Mesmo com o recesso no Legislativo, a CPI tem a próxima reunião agendada para segunda-feira que vem, porém, ainda não foi confirmado o nome do próximo depoente.
A CPI tem 120 dias, prorrogáveis por igual período, para apontar possíveis elementos que possam cassar o mandato de Ramos. Aurita informou que a CPI pretende pedir o afastamento de Ramos até o final da investigação na Câmara. "A assessoria jurídica da Casa analisa como isso poderá ser feito."
Ramos vai ser investigado com base no regimento interno da Casa, que permite a apuração de condutas parlamentares que atentem contra o decoro. Também compõem a comissão os vereadores Vladimir da Silva (PDT) e Professor Molina (PMDB). Ramos não foi localizado ontem. A reportagem deixou recado no escritório do advogado do médico, mas ele não deu retorno.


