CPI ouve ex-genro do ex-presidente do TRT de SP
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domingo, 25 de abril de 1999
Agência Estado 
A CPI que investiga irregularidades no Poder Judiciário terá hoje um de seus melhores momentos, com o depoimento de Marco Aurélio Gil de Oliveira Moura, ex-genro do ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, juiz Nicolau dos Santos Neto. De acordo com o presidente da comissão, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), além da expectativa de receber documentos que comprovem a aplicações financeiras no exterior em nome do juiz, Mourão deve acusar outras pessoas de atuarem ilegalmente em favor de Nicolau dos Santos.
É o caso dos responsáveis da Loja Biscayne, de carros importados - com matriz em São Paulo, capital, e em Miami - que teria providenciado laranjas para figurarem como donos dos carros de luxo adquiridos pelo juiz. Por esse esquema, segundo o ex-genro, Nicolau dos Santos comprou duas BMW, um Nissan bi Turbo, um Porsche, duas Mercedes e duas Cherokee. O Porsche estaria em nome do João Lino de Sousa, motoristas da loja instalada em São Paulo. Tebet antecipou que a CPI vai pedir à Receita Federal que investigue essa denúncia.
O ex-genro também acusou Nicolau de atuado para que sua filha Maria Virgínia ocupasse o cargo de juiz classistas, sem nunca ter tido contato com nenhuma entidade sindical, nem mesmo a do Sindicatos dos Transportes, que fez a indicação.
A CPI será igualmente informada que o ex-presidente do TRT se prevalecia se um passaporte diplomático para entrar no País com compras de valores exagerados, sem pagar imposto, e nas viagens em que cuidava de seus investimentos e do patrimônio adquirido.
Ramez Tebet assegurou que a comissão estará bem municiada de dados, na quinta-feira, no depoimento do ex-presidente do TRT. Ele é acusado pelo Ministério Público de ter desviado parte dos R$ 263,9 milhões liberados no Orçamento da União para a construção do fórum trabalhista de São Paulo. Apesar do gasto ocorrido até agora, a obra não passa de um esqueleto que ainda vai requerer milhões de reais para ser concluída.
Ainda amanhã, a CPI também vai ouvir o subprocurador da República Eithel Santiago de Brito, que investiga irregularidades cometidas no Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo. Amanhã, irão depor o presidente desse TRT, Ruy Elói, acusado pelo técnico do Judiciário, Antonio de Pádua, de praticar inúmeras irregularidades na sua gestão, e o ex-presidente do TRT, Vicente Wanderley, que tentou, mas não acabou com os abusos cometidos por seus colegas de tribunal.


