Curitiba - A CPI Nacional dos Planos de Saúde fez, ontem, em Curitiba, sua primeira audiência pública fora de Brasília (DF) para colher depoimentos sobre eventuais irregularidades praticadas pelas operadoras que atuam no Paraná. A comissão irá passar por outros quatro estados. A próxima audiência está agendada para o dia 1º de setembro, em São Paulo (SP).
O presidente da CPI, deputado federal Henrique Fontana, do PT do Rio Grande do Sul, disse que a intenção é ouvir relatos estaduais para confirmar o que está sendo apurado na Câmara Federal. Ele apontou como principais problemas levantados até agora na CPI o aumento abusivo dos planos de saúde, especialmente, para idosos; o grande volume de limitações de coberturas sob alegação de doenças pré-existentes; e o não repasse dos reajustes dos planos para os prestadores de serviços de saúde credenciados (médicos, clínicas e hospitais).
A CPI ouviu o coordenador da Coordenadoria Estadual de Defesa do Consumidor (Procon-PR), que relatou o volume de reclamações contra as operadores em Curitiba e região metropolitana. De agosto 1998 até agora foram registrados cerca de 15,1 mil atendimentos, que geraram 2,1 mil processos no órgão.
O presidente da Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar), José Francisco Schiavon, disse que há mais de seis anos não há reajuste nas diárias e taxas de serviços pagas pelas operadoras, o que tem feito muitos hospitais fecharem as portas ou pedirem seu descredenciamento, em prejuízo aos usuários do sistema.
O vereador Ney Leprevost também prestou depoimento apontando as irregularidades levantadas pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Curitiba, que investiga o sistema de saúde da Capital. As denúncias recebidas pelos vereadores contra fraude em licitações para contratação de empresa de resgate médico de emergência deverão ser apuradas também pela CPI Nacional.
Os donos da Clini-Prev Ltda. e Prever Serviços Póstumos Ltda., de Maringá, também prestaram depoimento na CPI a pedido do deputado federal Florisvaldo Fier o Dr. Rosinha (PT-PR). Ele recebeu denúncias de que as empresas estariam fazendo propaganda enganosa, oferecendo planos funerário, odontológico e de saúde por R$ 17,00 mensais.
O proprietário da Prever, Wilson Martins Marques, negou as acusações, dizendo que sua empresa vende o plano funerário. Os outros serviços são oferecidos, com desconto, por empresas conveniadas à Prever aos associados do plano.

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