CPI ouve depoimentos em Joaquim Távora
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quarta-feira, 19 de julho de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncia de fraude em licitações da Saúde Municipal de Joaquim Távora (53km ao sul de Jacarezinho) começou ontem a tomar os primeiros depoimentos. O suposto superfaturamento foi apresentado ao Ministério Público, segunda-feira passada, pelo ex-secretário de Saúde, Carlos Henrique Castanheira, um dos depoentes de ontem.
Conforme a denúncia documentada com notas fiscais e relatórios de compras efetuadas em 2005 e 2006, a Prefeitura teria adquirido suprimentos médico-hospitalares e medicamentos - vários deles, controlados -a preços muito acima dos praticados por outros fornecedores. Para fazer a constatação, Castanheira apresentou listas de compras de duas licitações feitas em março deste ano a dois ex-fornecedores da administração e também à Santa Casa de Siqueira Campos, município vizinho. Uma última consulta foi feita à associação mantenedora da Santa Casa de Joaquim Távora, presidida pelo vice-prefeito da cidade, Gelson Nassar (PSL). Inicialmente não listado no rol de depoimentos, Nassar acabou sendo convocado a falar à CPI, ontem.
Entre os itens comprados pela licitação que acabou cancelada pelo prefeito Wiliam Walter Ovçar (PSL), havia remédios vendidos a valores até 930% maior que o de venda pela fábrica, além de índices de 40% a 50% superior aos de tabela no caso dos suprimentos.
De acordo com o vereador João Eliton Brocal (PMDB), entre os 10 depoentes de ontem havia desde os quatro funcionários da comissão de licitação da Prefeitura - entre os quais o ex-presidente do grupo, o tesoureiro do Executivo, Elias Gonçalves - a representantes do Programa Saúde da Família (PSF) no Posto Municipal e da assessoria jurídica da administração. Segundo Brocal, que não é integrante da CPI, a sessão foi fechada ao público e teve de contar com reforço policial. ''Como é uma CPI e política envolvida, com gente de lados opostos, foi melhor pedir o reforço'', justificou.
Até o fechamento desta edição, ontem à noite, a sessão de depoimentos ainda não havia acabado.
O prefeito também pode ser chamado a depor, segundo membros da CPI. Ovçar nega a acusação de fraude feita pelo ex-secretário e argumenta que abriu ma sindicância para apurar eventuais responsáveis.


