Rosa Costa Agência Estado
A CPI do Judiciário ouvirá hoje o auditor Antônio José Heitor, que reforçará as denúncias contra o ex-titular da Vara de Órfãos e Sucessões e atual vice-presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, desembargador Asdrúbal Zola Vasquez Cruxen, acusado de ter dilapidado a herança de cerca de US$ 30 milhões do adolescente Luiz Gustavo Nominato, enquanto conduzia o processo de inventário. Heitor foi relator da comissão de inquérito do Banco Central que, em 1992, constatou irregularidades cometidas por Cruxen e pelos administradores nomeados por ele para a principal empresa da herança, o Consório Nacional Itapemirim.
Eles incluíram nas contas do consórcio várias despesas indevidas, como viagem para Buenos Aires e pagamento de hospedagem da então chefe do Ministério Público, Elza Lugon, e na compra de bebidas importadas, como uísques ‘‘Ballantines’’, ‘‘Chivas Regal’’ e de vinho ‘‘Calamares’’. Além de mostrar cópias de notas fiscais e recibos comprovando esses gastos. Jose Heitor dirá aos senadores que o próprio Ministério Público do DF constatou o desvio de cerca de US$ 15 milhões da herança, no inquérito policial conduzido pelo delegado Arnaldo Correa Silva, em 1998. O parecer do MP foi inexplicavelmente arquivado e até agora não surtiu nenhum efeito na tentativa dos advogados do adolescentes de recuperar pelo menos parte do patrimônio perdido.
A expectativa do auditor é que a CPI tente desarquivar esse documento, segundo o qual ‘‘houve, inegavelmente, durante o transcorrer do inventário, dilapidação do patrimônio a ser adjudicado ao menor Luiz Gustavo Nominato’’. De acordo com o parecer do Ministério Público, os bens do menor foram vendidos, mas não existe nenhum documento que comprove o recolhimento legal do dinheiro.

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