Agência Estado
De Brasília
Os senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) constataram ontem que os três advogados ligados à Construtora Encol, que depuseram ontem e que denunciavam o juiz da Vara de Falência de Goiânia Avenir Passo de Oliveira, também recorreram a artimanhas ilegais para favorecer o empresário Pedro Paulo de Souza, dono da empresa. O depoimento menos comprometido foi dado pelo advogado Waldomiro de Azevedo Ferreira, que há mais de um ano denunciou o juiz à Justiça de Goiás.
Os três advogados ofereceram-se à CPI para denunciar o suborno de Oliveira. Ele teria recebido de Souza uma boiada com 3.764 cabeças de gado nelore, em troca do adiamento da decretação da falência da Encol. O advogado Sérgio Melo Vieira Paixão, que, durante os 16 meses da concordata da empresa, trabalhou com o empresário, disse que, feita a transação, ‘‘o juiz começou a agir para ter a Encol na mão’’.
Os colegas Paulo Viana Martins e Neiron Cruvinel endossaram as acusações contra Oliveira. ‘‘A Constituição da República e papel higiênico para o juiz Avenir é a mesma coisa’’, afirmou Martins.
Os três tiveram os bens bloqueados pelo juiz e Martins está impedido de deixar o País. Ele acusou os advogados do Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal e Banespa que atuaram contra a Encol de ter superfaturado o valor das causas para aumentar os honorários.
O desempenho comprometedor dos advogados perante a CPI ficou por conta de eles terem revelado como começou essa ligação da Encol com o juiz da Vara de Falência de Goiânia. Eles contaram que decidiram transferir o processo de Brasília para aquela cidade porque havia o compromisso do juiz de atender a um pedido de concordata da empresa. Isso barraria as ações de cobrança e evitaria a decretação da falência, em Brasília, que era dada como certa.

mockup