O procurador-geral da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Fernando Ferreira, decidiu ontem que o nome do secretário da Justiça e da Segurança do Estado, José Paulo Bisol, não vai constar na lista de pessoas que tiveram o indiciamento pedido pelo relatório da CPI da Segurança Pública, apresentado na semana passada. O relator da CPI, Vieira da Cunha (PDT), incluiu, depois da leitura, os nomes de Bisol, do chefe de polícia, José Antônio Araújo, e do delegado Carlos Santana, chefe de gabinete de Araújo.

Ferreira considerou sem validade a página não lida, argumentando que ela carece de efeito jurídico. A legislação determina a leitura para que se discuta o teor do relatório. Com isso, a CPI criada para investigar a segurança pede o indiciamento de 42 pessoas, entre elas o governador Olívio Dutra (PT), mas poupa justamente as autoridades do setor.

Vieira reconheceu o erro. Disse que se esqueceu de ler os nomes porque estava cansado. A principal acusação formulada pela CPI foi a de que o PT, por meio do Clube de Seguros da Cidadania entidade formada por petistas e simpatizantes , arrecadou dinheiro dos bicheiros.

Com minoria na Assembléia Legislativa (43 deputados de oposição contra 12 de situação) que vai votar em plenário a aprovação do relatório, o governo gaúcho decidiu adotar estratégias de defesa. Amanhã, Olívio embarca para São Paulo, onde dará entrevista coletiva na sede do PT. No campo jurídico, o PT juntou um grupo de dez advogados especialistas nas áreas criminal, tributária e eleitoral para analisar o relatório da CPI.

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