CPI nacional retoma atividade
A CPI do Narcotráfico da Câmara Federal reiniciou ontem as atividades internas para a seleção e análise de documentos sobre o tráfico de drogas em treze Estados brasileiros (Acre, São Paulo, Maranhão, Tocantins, Pará, Amapá, Goiás, Minas Gerais, Alagoas, Espírito Santo, Bahia, Rio de Janeiro e Paraná). Segundo o deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT-PR), a intenção é estabelecer prioridades. ‘‘Temos pouco tempo para analisarmos os documentos, ouvirmos os envolvidos e pedirmos quebra de sigilos bancários’’, lembrou ele. O prazo para o término dos trabalhos da CPI é 15 de maio.
Apesar do final do prazo em quatro meses, os deputados ainda pretendem conseguir a instalação de uma nova CPI para a continuidade das investigações. As assinaturas começarão a ser recolhidas durante esta semana. ‘‘O nome mudará para CPI das Drogas e da Lavagem de Dinheiro, mas no fundo será a mesma coisa. Apenas estaremos cumprindo uma burocracia interna da Casa’’, declarou ele.
No Paraná, a CPI do Narcotráfico poderá chegar no mês que vem. Mas a confirmação de datas e locais só deverá ser feita após uma série de reuniões da CPI programada para esta semana. ‘‘Existe uma total pré-disposição para que a comissão desembarque no Paraná para analisar o tráfico de drogas. Mas não podemos nos esquecer dos prazos’’, disse Padre Roque.
Entre as principais particularidades do Estado, apontadas por ele, estão os indícios de relação com drogas em 40% dos homicídios ocorridos no Paraná, entrada da droga pela fronteira, repasse da droga da Bolívia e do Paraguai por policiais civis e lavagem intensa de dinheiro. ‘‘O Paraná é o Estado brasileiro que mais lava dinheiro. Isto não ocorre só em Foz do Iguaçu, ocorre em Cascavel, Londrina, Maringá, Curitiba e Ponta Grossa’’, afirmou.
Para a série de investigações no Paraná, a CPI pretende contar com o trabalho da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Assembléia Legislativa. ‘‘Acho que o trabalho dos deputados poderá ser um complemento importante para os indícios já levantados através de denúncias e documentações que já estão na CPI do Narcotráfico’’, declarou ele. (L.P.)