CPI monta base amanhã em Campinas
Agência Estado
De Campinas
Os deputados federais Pompeo de Mattos (PDT-RS) e Robson Tuma (PFL-SP), que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, chegam a Campinas (SP) amanhã a fim de colher subsídios para os trabalhos que a comissão realizará na cidade nos dias 16 e 17 deste mês. Campinas é apontada pela CPI como o centro logístico e financeiro do crime organizado no País. Políticos, policiais e empresários suspeitos de integrar o esquema criminoso comandado pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal serão chamados a depor.
Vamos levantar informações que possam nos orientar nos depoimentos que pretendemos obter, disse Mattos, relator da CPI na área de Campinas. De acordo com Mattos, deverão ser ouvidas todas as pessoas ligadas ao empresário Willian Walber Sozza. Foragido desde o dia 14 de outubro, Sozza é suspeito de integrar a suposta quadrilha de roubo de cargas, narcotráfico e lavagem de dinheiro, chefiada por Pascoal.
Mattos e Tuma pretendem conversar com autoridades do Poder Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal. Os parlamentares estão em busca de subsídios que possam confirmar a ligação do empresário Sozza com Pascoal, apontado como um dos chefes do crime organizado no País. Queremos saber os resultados das investigações que estão em andamento na cidade, disse Mattos.
Os dois parlamentares devem deixar Campinas amanhã ou sábado pela manhã, mas retornam na terça-feira, quando a CPI será transferida em maior número de integrantes para Campinas. Segundo Mattos, o local escolhido para os depoimentos foi o Tribunal do Júri, no Fórum local.
Para facilitar o trabalho da CPI, o Ministério Público de Campinas decidiu criar um grupo especial formado por seis dos 15 promotores que atuam na cidade. O objetivo é aprofundar as investigações sobre o narcotráfico e o crime organizado na cidade, disse ontem o promotor Ricardo Silvares. Segundo ele, o MP colocará à disposição da CPI todas as informações já levantadas. Um dos casos que o MP vem investigando é o desaparecimento, há dez meses, de 340 quilos de cocaína que estavam guardados no prédio do Instituto Médico Legal (IML) de Campinas.
O carregamento havia sido apreendido um dia antes numa chácara em Indaiatuba. Para o MP e os integrantes da CPI, o resgate da droga pode estar relacionado ao crime organizado. O fato levantou a suspeita de que policiais poderiam estar envolvidos no suposto esquema.
Revoltados com as suspeitas sobre o envolvimento da polícia com o crime organizado, cinco delegados da Polícia Civil em Campinas protocolaram ontem uma interpelação judicial contra o promotor Artur Pinto de Lemos Júnior. A ação foi motivada por declarações atribuídas ao promotor e publicadas no jornal local Diário do Povo. Na reportagem, Lemos Júnior acusa a polícia de fazer corpo mole e de estar de olhos fechados para as denúncias sobre o crime organizado.
Queremos que o interpelado diga ao juiz quem, na polícia, está de olhos fechados e fazendo corpo mole, disse o advogado dos policiais, Miguel Orlando Vulcano. A interpelação foi ajuizada em nome dos delegados Hamilton Caviolla Filho, Maurício Lucenti Geremonte, Miguel Voigt Júnior, Joel Antonio dos Santos, e Ricardo de Lima. Eles querem ser indenizados por danos morais.





