CPI Mista volta ao PR e quer ouvir doleiros
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terça-feira, 27 de abril de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que está investigando a evasão de divisas do Brasil para o Exterior através das chamadas contas CC-5, aparentemente legais e que operavam com a intenção de atender estrangeiros residentes no Brasil, chega amanhã ao Paraná. Entre os pontos que deverão ser questionados na passagem por Curitiba está a utilização de ''laranjas'' para a remessa de dólares ao Exterior com a intenção de lavar dinheiro. O Ministério Público (MP) federal estima que entre os anos de 1992 e 1998, tenham sido enviados para fora do País R$ 124,1 bilhões.
Parte desses recursos saiu de Foz do Iguaçu, Londrina e Curitiba. As operações eram realizadas por intermédio de doleiros. Entre eles, Alberto Youssef, que já é réu-colaborador da Justiça e está sendo investigado na CPMI pela sonegação de mais de US$ 33 milhões em impostos entre os anos de 1996 e 1999. Ele também é suspeito de lavagem de dinheiro. A CPMI, composta por senadores e deputados federais, tentou ouvir Youssef na primeira passagem pelo Paraná, no ano passado. Entretanto, o doleiro se recusou a prestar esclarecimentos. Se depender do advogado dele, Antonio Augusto Figueiredo Basto, Youssef vai novamente permanecer calado.
''Tínhamos a programação de ouvi-lo novamente e é o que tentaremos fazer. Esperamos que ele colabore'', disse ontem o deputado federal José Mentor (PT-SP), relator da CPMI. Serão ainda convocados para as audiências no Paraná outros doleiros. Entre eles, Valdir Werle (gerente da Elcatur Câmbio e Turismo, que teria enviado para o Exterior cerca de US$ 80 milhões entre 1996 e 1997) e George Pantaleades. Também foram convocados Afonso Celso Braga, Afonso Celso Braga Filho e Marco Antonio Vendrametto, apontados por várias testemunhas como pessoas ligadas ao Banco Integración, do Paraguai e Araucária que também fariam remessas de dólares para o Exterior.
Celso Braga (o pai) e Vendrametto seriam ainda procuradores de duas ''offshores'' (empresas abertas no Exterior com fins de remessa de dólares para paraísos fiscais), a Baneast e a Sunfox. Hoje, às 13 horas, novos nomes serão definidos para serem ouvidos no Paraná. Dos depoimentos agendados para amanhã, nenhum foi ouvido anteriormente pela CPI Estadual do Banestado, que terminou seus trabalhos no final do ano passado.
A CPMI do Banestado tinha o depoimento do ex-prefeito Celso Pitta previsto para ontem, mas foi adiado porque ele se negou a prestar juramento, respaldado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A comissão vai pedir que o STF reconsidere a decisão. Pitta é acusado de ter enviado US$ 1,5 milhão aos Estados Unidos por meio de uma ''offshore'' que foi aberta no período que ele era secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo, durante a administração de Paulo Maluf (PP), entre 1993 e 1996.


