Curitiba - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que está investigando a evasão de divisas do Brasil para o Exterior através das chamadas contas CC-5, aparentemente legais e que operavam com a intenção de atender estrangeiros residentes no Brasil, decidiu voltar ao Paraná. Eles querem tentar ouvir novamente o doleiro Alberto Youssef, denunciado pelo Ministério Público (MP) federal por sonegar mais de US$ 33 milhão em impostos entre os anos de 1996 e 1999. Ele também é suspeito de lavagem de dinheiro.
O presidente da CPMI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) disse que aguarda com expectativa pelo depoimento. ''Tenho a convicção absoluta de que ele tem muito a informar à CPI.'' O deputado federal José Mentor (PT-SP), relator da comissão, disse que Youssef foi um dos responsáveis pelas maiores movimentações financeiras no País. ''Ele foi uma das pessoas que mais operou com as contas CC-5 no Brasil. Deve conhecer do mercado, da forma como as transações eram feitas, quem eram os responsáveis, quem mandava dinheiro e quem eram os beneficiários'', argumentou.
Na primeira vez que estiveram no Paraná para ouvir Youssef e ex-diretores do Banestado, o doleiro se recusou a depor na CPI, dizendo que apenas falaria em juízo. Mentor disse que não sabia da decisão do doleiro de se tornar réu colaborador da Justiça. ''Espero que ele colabore também com a CPI. Ele é uma das pendências que temos em Curitiba e em Foz do Iguaçu'', disse o deputado federal. Além de Youssef, ex-diretores, proprietários de casas de câmbio e do Banco Araucária serão chamados para prestar depoimento.
Se depender do advogado de Youssef, Antonio Augusto Figueiredo Basto, os parlamentares não vão ter avanços significativos durante a tomada de depoimentos incialmente marcada para o dia 23. ''É perda de tempo dos deputados. Ele não fala com políticos, só fala em juízo. Ele não vai servir como palanque eleitoral. Não vamos desvirtuar nossa defesa. Confiamos estritamente no Poder Judiciário'', apontou ele.
O escândalo da utilização de ''laranjas'' para a evasão de divisas e lavagem de dinheiro através das contas CC-5 veio à tona no início de 1999, quando o então procurador da República em Cascavel, Celso Antônio Três, quebrou o sigilo das remessas realizadas entre 1992 e 1998. No período teriam sido enviados para fora do país R$ 124,1 bilhões. Grande parte disso, segundo Três, foi por contas em nome de ''laranjas'' (pessoas que têm seus nomes usados para operações ilícitas).

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