Curitiba - A Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) do Banestado instalada no Congresso Nacional realiza hoje uma sessão especial em Foz do Iguaçu. Os senadores e deputados federais esperam tomar o depoimento de pelo menos oito pessoas que atuavam nos bancos e agências de câmbio em Foz entre 1996 e 2000, período em que a Polícia Federal (PF) estima que US$ 30 bilhões tenham deixado o Brasil ilegalmente através de um esquema de lavagem de dinheiro montado na cidade.
Segundo os policiais federais e os procuradores do Ministério Público (MP) federal que formaram uma força-tarefa para investigar a evasão de divisas, o dinheiro deixava o Brasil, por várias formas, incluindo carros-forte. Mas o principal foco da CPMI é averiguar a utilização das contas CC-5, de uso exclusivo de estrangeiros residentes no Brasil, para enviar ilegalmente recursos de pessoas e empresas brasileiras para o exterior através do Banestado.
Segundo o deputado federal do Paraná Paulo Bernardo (PT), a sessão em Foz visa buscar detalhes de como funcionava o sistema financeiro em Foz na ''época áurea'' da lavagem através do Banestado. ''Não vamos buscar depoimentos daqueles que já estão sendo investigados pela Justiça ou denunciados pelo MP. Queremos tomar conhecimento de como era o funcionamento das casas de câmbio e a relação com os bancos. São depoentes que podem trazer algo de importante, mas que a comissão acredita que não valeria levar um por um até Brasília'', explicou Paulo Bernardo. A CPMI já realizou sessões regionais em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul para investigar a lavagem de dinheiro.
Depois da sessão de hoje, os deputados seguem para Curitiba. Os parlamentares querem trocar informações com os procuradores do MP que estão oferecendo denúncias contra os agentes do sistema financeiro que permitiram a evasão de divisas. ''Está havendo uma troca constante de dados entre os procuradores e o presidente da CPMI, Antero Paes de Barros (PSDB-MT). Iremos decidir também se tomaremos depoimentos de outras pessoas em Curitiba'', afirmou o deputado. A CPMI estuda se irá tomar o depoimento do doleiro londrinense Alberto Youssef, preso na sede da Polícia Federal em Curitiba por remeter dinheiro para o exterior através de contas CC-5 e sonegar impostos.

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