A Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPI) da Câmara dos Deputados e do Senado, que apura irregularidades no envio de dinheiro para o exterior através do extinto Banco do Estado do Paraná (Banestado), deverá ir a Curitiba, na próxima quinta-feira, para tomar o depoimento do doleiro Alberto Youssef.
Conforme o presidente da CPI, deputado Eduardo Valverde (PT/RO), a comissão quer aproveitar que o doleiro está preso em Curitiba para tomar o depoimento, devido à dificuldade de localizá-lo durante os trabalhos da CPI. ''Há um requerimento aprovado na comissão para estar convocando Youssef para depor. O problema é que ele não foi localizado. Graças à prisão preventiva poderemos ouvi-lo'', afirmou Valverde. ''Ele (Youssef) é uma figura chave para desvendar as pessoas interessadas, o mecanismo das remessas de dinheiro. Em todas as contas que apareceram depois da quebra do sigilo bancário, aparece o nome dele. O importante é quem, através dele, fez a remessa'', complementou.
De acordo com Valverde, Youssef poderá obter ''alguns benefícios'' caso colabore com a investigação. ''Vão ser dadas as garantias para que ele possa falar, para que tenha alguns benefícios no processo, para esclarecer quem são os responsáveis pelas remessas'', disse.
Segundo o deputado, a CPI, que deverá se reunir hoje, ainda estuda a possibilidade de pedir para ouvir Youssef em Brasília. A data do depoimento também poderá ser alterada.
O advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, acusou os deputados que pretendem ouvir o doleiro de estarem ''explorando politicamente'' o fato. ''Meu cliente irá prestar depoimento à Justiça, e está tranquilo em relação a isso. Mas ele não tem nada a esclarecer a deputado nenhum, e não temos interesse em nenhum carnaval de política. Se os deputados quiserem, eles que se desloquem até Curitiba para acompanhar o depoimento ao juiz'', afirmou Basto, se referindo à audiência marcada para amanhã na Justiça Federal. (Colaborou Rodrigo Sais)

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