CPI mantém em sigilo nome dos envolvidos
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quarta-feira, 09 de julho de 1997
Curitiba 
Os senadores Roberto Requião (PMDB-PR) e Vilson Kleinubing (PFL-SC) saíram de Curitiba, na noite da última segunda-feira, com a certeza de terem detectado pelo menos dois dos mandantes do esquema montado pelo grupo Transoceânica Passagens e Turismo para a lavagem dos precatórios no Paraná. A identidade dos cabeças ainda é mantida em sigilo pela CPI, que prepara uma representação criminal a ser ajuizada no Ministério Público Federal no início da semana que vem.
Requião e Kleinubing trabalham para o indiciamento de Gerard Fuchs e Ernesto de Veer, proprietários da Transoceânica; de Erich Fuchs e Altair Bora, os movimentadores das contas de empresas fantasmas; e dos ex-gerentes da agência do Banco do Brasil no Alto da Rua XV Nilson dos Santos e Silviano Câmara Neto, acusados de terem facilitado o esquema. Os mandantes também devem responder. Se revelarmos nomes podemos nos perder nas investigações, avalia Requião, que conclui hoje seu relatório.
A CPI dos Precatórios volta a Curitiba, amanhã, para retomar o caso. Desta vez, serão ouvidos Altair Bora, e José Carlos Galotti Blauth, o primo do ex-secretário da Fazenda de Santa Catarina Paulo Prisco Paraíso. A decisão foi tomada ontem na reunião da CPI em Brasília. Galotti Blauth é acusado de ter recebido um depósito de R$ 450 mil - via Divalpar - do grupo Transoceânica e de tê-lo desaguado para Santa Catarina.
Kleinubing e Requião pretendem ainda apurar detalhes sobre a identidade dos mandantes e possíveis conexões com autoridades públicas, assim como a participação da corretora Sigla no esquema. O que posso adiantar é que está claro o cometimento de crimes como o do colarinho branco, sonegação fiscal e vazão de divisas, afirma Requião.
Ao que tudo indica, foram os próprios proprietários do grupo Transoceânica quem deram as pistas para se chegar aos mandantes da lavagem. O grupo deixou vestígios em alguns dos documentos, utilizados no esquema para legalizar as movimentações cambiais, feitas sem consentimento e com o CPF (Cadastro de Pessoa Física) de terceiros. Uma operação pente-fino do Banco Central teria auxiliado nas investigações.
O último depoimento prestado à CPI, na segunda-feira, foi de Nilson dos Santos. O ex-gerente do BB, que hoje responde pela factoring Prima Fomento, negou envolvimento. Foi supreendido pelos senadores ao receber cópias de extratos bancários que comprovam um saque feito por ele em nome de uma fantasma, no valor de R$ 750 mil (em dinheiro), no dia 25 de outubro de 1996. Ele (Nilson dos Santos) ficou desconcertado, avalia Kleinubing. (L.D.)


