O presidente da CPI estadual do Narcotráfico, deputado Algaci Túlio (PTB), afirmou ontem que o depoimento do traficante José Maria Montalban ‘‘foi o melhor’’ que a comissão tomou até o momento – ‘‘nem a CPI nacional conseguiu um depoimento como este’’, comemorou. Alegando questões de segurança, o deputado não deu muitos detalhes do relato do traficante, que durou mais de três horas. ‘‘Agora começa o jogo de paciência para comprovar todas as informações que ele nos repassou’’, disse Algaci.
O relator da CPI, Ricardo Chab (PTB), informou que o traficante forneceu nomes e endereços de pessoas do Paraná e também de outros estados, que fazem parte do tráfico internacional de drogas. ‘‘Foi melhor (o depoimento) do que a gente pensava’’, avaliou. Até o começo da noite de ontem, Algaci e Chab não foram encontrados para confirmar se Montalban havia conseguido obter as exigências que fez para vir depor em Curitiba.
Ele pediu para ser transferido para um presídio seguro fora do Estado depois de ser interrogado e exigiu garantia de vida para ele e a esposa. Chab informou, no começo da tarde, que os promotores da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) haviam se comprometido a atender os pedidos que tivessem base legal como, por exemplo, a transferência para uma penitenciária de fora do Paraná.
O presidente da CPI criticou os jornais, como a Folha, que divulgaram o nome do traficante. Algaci afirmou que ontem pela manhã Montalban passou a ‘‘se esquivar’’ das perguntas dos deputados e dos promotorees, quando soube que a identidade dele havia sido revelada. ‘‘O noticiário nos atrapalhou bastante’, argumentou. Anteontem Algaci e Chab pediram sigilo aos jornalistas de Curitiba sobre a divulgação do nome do traficante.
Mas os deputados não tiveram o mesmo rigor para evitar que os jornalistas de Maringá tivessem acesso à informação de que ele estava sendo transferido daquela cidade para Curitiba, num avião do governo do Estado na tarde de quarta-feira.
O presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB), informou ontem que, na segunda-feira, vai anunciar os nomes dos deputados que vão substituir os quatro parlamentares do PSDB que deixaram a CPI do Narcotráfico. Na segunda-feira três deputados da oposição já haviam abandonado a comissão e, anteontem, os deputados tucanos que eram suplentes, e foram indicados para substituí-los, também preferiram se desligar da CPI.

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