Brasília - A CPI dos Bingos recebeu ontem a denúncia de que Waldomiro Diniz, ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, manteve - antes de chegar ao Palácio do Planalto - estreitas ligações com a cúpula do jogo no Espírito Santo. Entre os contatos de Waldomiro figurava o ex-deputado estadual José Carlos Gratz, apontado como chefe do crime organizado local.
Ao falar do episódio na comissão, o procurador da República Ronaldo Meira de Vasconcellos referiu-se a Waldomiro como sendo ''a mão invisível que estimulava a jogatina no País''. De acordo com Vasconcellos, esse estímulo foi isso era feito com base nas brechas existentes na portaria que entrou em vigor em dezembro de 2001, quando Waldomiro presidia a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), que permitia a exploração de jogos eletrônicos no Estado. O texto acabou sendo copiado, quase na íntegra, em outros vários Estados.
''Eu diria que, em 90%, o texto era o mesmo, inclusive na repetição de erros de acentuação e pontuação'', contou. ''Era um convite estimulando à prática da jogatina''. O procurador disse que no mesmo ano recebeu ''informes'' de policiais militares e civis sobre três encontros que Waldomiro Diniz teria mantido com José Carlos Gratz, que hoje está preso, e com o ''staff'' do jogo no Estado. ''Ele (Waldomiro) estava orientando o deputado no preparo da legislação'', acrescentou. Na ocasião, Gratz era o presidente da Assembléia Legislativa capixaba, aonde ''vários'' deputados ligados ao crime organizado exerciam o mandato, lembrou o procurador.
O senador Magno Malta (PL-ES) disse que já tinha ouvido essa informação, ''mas não com esses detalhes''. ''Ficou claro que partiu de Waldomiro o texto padrão copiado por outros'', afirmou. Para o presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), a investigação deve ser ampliada além da cobrança de propina de Carlos Cachoeira e do contrato com a Gtech, temas esses que justificaram a convocação do ex-assessor do Palácio do Planalto no próximo dia 11. Efraim mostrou que a iniciativa do senador Tião Viana (PT-AC), de destacar que Waldomiro Diniz não fazia parte do governo federal quando do episódio citado pelo procurador, não isentava o PT. ''Até porque ele já era tido como homem de confiança do então presidente do partido, José Dirceu, além de ter sido designado para a Loterj pela governadora petista Benedita Silva '', alegou.
Três outros procuradores também foram convidados a falar à CPI dos Bingos: José Pedro Tarques, Celso Três e Roberto Santos Ferreira. Eles pediram aos integrantes da comissão uma legislação mais rígida para combater a jogatina, hoje tipificada como sendo uma contravenção e não como crime. ''Embora seja impossível falar em bingo ou caça-níqueis desvinculados do crime organizado e da lavagem de dinheiro'', argumentou Tarques. De acordo com os procuradores, a situação atual termina por estimular a promiscuidade entre políticos, grupos criminoso, utilização de laranjas e a importação ilegal de equipamentos graças a liminares concedidos pela Justiça.

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