CRIME ORGANIZADO CPI leva Candinho para depoimento Palácio Iguaçu tentou todas as formas para livrar secretário, mas Malta ganhou braço-de-ferro ameaçando usar forma coercitiva Mauro FrassonPARA FALARCandinho chega à Assembléia: ultimato até as 23 horas para secretário comparecer perante a comissão Carmem Murara e Rubens Burigo Neto De Curitiba Depois de oito horas de queda-de-braço entre governo do Estado e CPI do Narcotráfico, o secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, aceitou depor. Ele saiu por volta das 23h30 do Palácio Iguaçu em direção à Assembléia Legislativa, decidido a falar o que sabia sobre o envolvimento de policiais civis no crime organizado no Paraná. O acordo entre governo e CPI só veio depois que o presidente da Comissão Parlamentar, Magno Malta, bateu o martelo e disse que se o secretário não comparecesse seria chamado a Brasília. ‘‘Se não vier, terá que depor de forma coercitiva’’, ameaçou Malta. Os membros da CPI e o governo passaram o dia numa negociação acirrada para acertar a melhor forma de conduzir o depoimento do secretário de Segurança. A decisão do governo foi tomada somente à noite, quando o governador Jaime Lerner quis colocar um freio na autoridade da CPI, na tentativa de ditar as regras. Mas a CPI reagiu e reverteu o jogo. Magno deu ultimato até 23 horas para o secretário apresentar-se. Ele chegou com meia hora de atraso. O posicionamento do Governo do Estado era de que o secretário deveria depor em uma data posterior e ainda em sessão reservada, porém ele refluiu. Isso evitaria a exposição pública e o desgaste político. Os deputados não concordaram. ‘‘Só depõe em reunião fechada quem tem denúncia para fazer ou quem corre risco de vida. Se ele quiser assim, vai ter de entregar nomes. Ele é um cidadão comum e não pode ter foro privilegiado’’, declarou. A última reunião dos secretários e membros da CPI começou às 21h20 e terminou às 22 horas. Giovani Gionédis (Fazenda), Tato Taborda (Casa Civil), Valdir Rossoni (líder do governo) e Nelson Justus (presidente da Assembléia) propuseram adiar o depoimento. As negociações e reuniões internas no governo para definir o depoimento se intensificavam à medida que o nome do secretário era citado na CPI ou era atrelado ao delegado João Ricardo Noronha, ex-diretor geral da Polícia Civil, acusado de comandar o tráfico de drogas. Uma das testesmunhas que colocou o secretário sob suspeição foi o advogado Hugo Ramos de Oliveira, ao dizer que Cândido Martins tinha uma dívida antiga com Noronha. Segundo o advogado, Noronha havia colocado na gaveta um processo envolvendo a filha do secretário, que atropelou e matou um motociclista. A situação ficou mais crítica para o secretário, quando os deputados tiveram a certeza de que Noronha não iria depor, sob alegação de que estava com problemas de saúde e em viagem. ‘‘O secretário lavou as mãos. Quando o chefe da Polícia não comparece para depor isso representa uma desmoralização da Secretaria de Segurança perante a opinião pública. O secretário está desmoralizado’’, discursava o deputado Pompeu de Matos (PDT-RJ), ao sugerir que Lerner deveria demitir o secretário. O governador sinalizou para os secretários que ninguém é vitalício nos cargos que ocupam no Palácio Iguaçu. Alguns aliados do governo defenderam o remanejamento de Cândido Martins para outro setor, como aconteceu quando o secretário foi conduzido à Casa Civil, logo após de um confronto de Cândido Martins com o Movimento Sem-Terra. O que Lerner não queria ontem era dar munição para a CPI ganhar mais espaço político, segundo análise de um deputado da Comissão.