CPI já convoca testemunhas do Paraná
Leandro Donatti
De Curitiba
A CPI do Narcotráfico começou a pressionar ontem as testemunhas e os suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas no Estado que serão ouvidos pela comissão a partir da próxima terça-feira, em Curitiba. A CPI não revela os nomes nem o número de pessoas que estão sendo acionadas, por motivos de segurança. Só estão sendo chamados com antecedência, por carta, as pessoas que contribuirão acessoriamente às investigações da comissão. Para os que revelerão detalhes da rota da droga no Paraná e para os que correm o risco de serem presos por estarem comprovadamente envolvidos com o narcotráfico no Estado a CPI reserva um pacote de intimações-surpresa.
Único paranaense da CPI, o deputado federal Padre Roque (PT) confirmou ontem a distribuição das intimações. Aqueles que temos certeza de envolvimento serão chamados sem aviso prévio, reiterou ele. O deputado disse que os pedidos de habeas-corpus preventivo, requeridos em juízo por diversos suspeitos-alvo da CPI, para tornar sem efeito as intimações e eventuais pedidos de prisões, estancaram. Não tenho mais notícia de nenhum caso, disse. Na semana passada, Padre Roque mandou recado para os que tentarem dificultar as investigações no Paraná: Eles serão investigados duas vezes e com mais rigor, repetiu.
Os depoimentos serão colhidos no Plenarinho da Assembléia, quando as audiências da CPI forem públicas. Para as secretas, a Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia reativou um auditório que não era usado há anos. Nas audiências secretas, a presença de deputados também será restrita. Não sabemos ainda o que será público e o que será secreto, disse ontem o presidente da CEI, deputado Ângelo Vanhoni. Vanhoni tem reunião na segunda-feira com Padre Roque, em Curitiba. A CPI deve prolongar sua estada no Paraná até dia 4 de março.
Roque e Vanhoni não receberam ainda nenhum comunicado oficial do presidente da comissão Magno Malta (PTB-ES). Os deputados não foram participados ainda se a CPI se desloca ou não para Foz do Iguaçu, para tratar do esquema de lavagem de dinheiro. O que estamos fazendo por enquanto é darmos a infra-estrutura para os trabalhos, salientou Vanhoni. A CEI não vai mais pedir reforço policial para a Segurança do Paraná. No caso do narcotráfico, cabe à Polícia Federal essa tarefa, emendou.
O vice-presidente da comissão, Algaci Túlio (PTB), sugeriu ontem que, nos dias em que a CPI estiver em Curitiba, a AL faça sessão pela manhã, das 9 às 10 horas para que todas as pessoas acompanhem. O pedido foi recusado pelo presidente Nelson Justus (PTB).





