Brasília - O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), anunciou ontem que vai instalar, na próxima terça-feira, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a privatização da Eletropaulo e as privatizações do setor elétrico no governo Fernando Henrique Cardoso. A CPI foi criada no ano passado, seus integrantes indicados pelas lideranças, mas até agora não começou a funcionar.
Severino resolveu instalar a CPI por pressão do PSDB e do PFL, que reagiram à declaração do vice-líder do governo, Beto Albuquerque (PSB-RS), que desafiou a oposição: se querem mesmo investigar, deveriam também apurar as privatizações do governo passado. Foi um recado para o PFL e o PSDB, que defendem a criação de CPI para apurar as denúncias de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).
''Vamos instalar o mais rápido possível a CPI. Se dentro de mais alguns dias não houver o funcionamento, tomarei as medidas para que seja feita a instalação da CPI'', afirmou Severino. ''Quero saber se isso (declaração do vice-líder) é uma chantagem ou se é mesmo para valer. Não vamos aceitar instrumento de chantagem'', afirmou o líder do PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ), que ameaçou impedir a votação de medidas provisórias enquanto a CPI do setor elétrico não começar a funcionar.
''Essa CPI do setor elétrico está criada desde o ano passado, mas a maioria dos deputados é do governo e eles não estão presentes à Comissão para dar quórum'', disse o líder do PSDB, deputado Alberto Goldman (SP).
No final da tarde, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), subiu à tribuna para garantir que o governo não fez obstrução ao funcionamento da CPI do setor elétrico. ''Houve oito tentativas dessa comissão se reunir e, em sete delas, a reunião foi cancelada. No último dia 4 de maio foi aberta a sessão e 16 deputados da base do governo estavam presentes e apenas três da oposição apareceram. Se alguém estava fazendo obstrução não era o governo'', afirmou Chinaglia.
Em nota oficial, o PFL e o PSDB afirmaram que ''não se sujeitarão a qualquer manobra ou expediente de intimidação por parte do governo Lula e seus aliados, concordando, desde já, acerca da instauração de outros inquéritos parlamentares, propostos que visem elucidar fatos ocorridos em administrações anteriores. A esse propósito, a comissão destinada a apurar eventuais infrações no processo de privatização do setor elétrico somente não foi instalada em face da obstrução e da falta de interesse do governo'', argumentaram os dois líderes partidários.
Goldman e Maia observaram ainda que ''não medirão esforços para que sejam apuradas, até o final, todas as denúncias de corrupção e desvios que pairam sob o governo Lula''. Lembraram ainda que tentaram investigar as denúncias apresentadas contra o ex-assessor da presidência Waldomiro Diniz.

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