As ligações telefônicas feitas da agência mineira SMP&B, do publicitário Marcos Valério de Souza, para Londrina, serão verificadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista, que apura irregularidades nos Correios. O objetivo é municiar a comissão para o depoimento da ex-assessora financeira da campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT), Soraya Garcia. A expectativa é que ela seria ouvida na próxima semana, mas o depoimento ainda não foi agendado por falta de quórum na comissão.
A SMP&B foi citada pela ex-assessora em entrevista à revista ''IstoÉ'', em sua última edição. Apesar da empresa não constar dos depoimentos prestados por Soraya à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Eleitoral, na entrevista ela relata que, em novembro de 2004, uma locadora de veículos teria telefonado para o comitê de campanha cobrando o pagamento de R$ 200 por uma batida de leve no pára-lamas de um Celta utilizado na campanha. Ela teria ligado para a locadora, que a teria informado que o locador era a Yaktur Viagens e Turismo Ltda, em São Paulo. Na Yaktur, teriam dado um telefone em Brasília. Segundo Soraya, a ligação caiu na SMP&B.
Segundo o sub-relator da CPI, Gustavo Fruet (PMDB-PR), em uma análise preliminar dos dados da quebra do sigilo telefônico da agência de Marcos Valério, foi possível verificar ''várias ligações para Londrina''. ''Temos mais de R$ 6 milhões de registros telefônicos. Estamos esperando abastecer toda base de dados para fazer o cruzamento. Sei que tem várias ligações para Londrina mas ainda não foi feito o cruzamento de dados'', disse. ''Na semana que vem vou pedir para fazer o cruzamento e tentar tirar um primeiro relatório'', afirmou.
Nas investigações da PF dos supostos gastos da campanha petista não declarados à Justiça Eleitoral, também aparece o nome da Yaktur Turismo. Entre os documentos apreendidos no dia 3 de agosto em 22 mandados de busca e apreensão, foram encontradas notas fiscais da Victory Aluguel de Veículos, de Brasília, que teria alugado veículos para a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia 6 de outubro de 2004, para inauguração do Centro de Especialidade Odontológicas (Ceo) de Londrina. Conforme as notas, o locador seria a Yaktur.
O delegado Kandy Takahashi já encaminhou à PF de São Paulo, uma carta precatória pedindo a intimação dos responsáveis pela Yaktur. ''Estou esperando a Polícia Federal me chamar. A gente não teve contato com o PT e com a SMP&B'', afirmou um dos proprietários da Yaktur, Michel Langone. ''A gente tem crédito com as locadoras. Quando a gente aluga carros para empresas, a gente paga a locadora e recebe da empresa, e a SMP&B e o PT não constam da nossa carteira de clientes. A Victory é um fornecedor nosso. Se a gente alugou um carro para uma empresa e essa empresa teve algum contato com o Lula, fica a cargo dessa empresa responder'', afirmou Langone. Ele não soube informar qual empresa teria solicitado a locação dos carros para a visita presidencial a Londrina. ''Não fiz esse levantamento ainda.''
A assessoria de imprensa da Casa Civil, confirmou que o veículo blindado que transportou o presidente foi locado através da Victory. ''O serviço foi contratado através da Victory, que pode ter sublocado. O certo é que a fatura que temos é para a Victory'', disse o assessor, que se negou a revelar o valor da fatura. ''Não posso informar. Esse é um item que a área responsável pela segurança do presidente considera como item de segurança'', justificou.

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