Agência Estado
De Brasília
A CPI do Narcotráfico vai investigar, a partir desta semana, a maior rota do tráfico de drogas do País que envolve o Brasil, Colômbia e Suriname. A partir da prisão de seis pessoas há quase um mês, a CPI pretende chegar aos líderes de uma grande quadrilha que atua em São Paulo, Goiás, Maranhão, Pará, Espírito Santo, Roraima, Acre e Rio de Janeiro.
A CPI vai ouvir Leonardo Dias Mendonça, preso em Goiás com quase 700 quilos de cocaína, considerado um dos principais membros da quadrilha no Brasil. A droga era enviada para o exterior e distribuída no eixo Rio-São Paulo, e entrava no País pelo Suriname, procedente da Colômbia. Parte da cocaína que chegou ao Brasil nos últimos anos e que tinha como destino o mercado americano e europeu, passou por aeroportos do interior paulista e até o porto de Vitória (ES).
A Polícia Federal só chegou ao grupo depois de uma investigação iniciada no ano passado, quando foi montada a operação ‘‘Tornado’’. A CPI investiga se este mesmo grupo tinha ligações na região de Campinas, onde estava montado o esquema de lavagem de dinheiro do empresário William Sozza.
A primeira pista da conexão Colômbia-Brasil-Suriname surgiu no ano passado, segundo um relatório da Divisão de Repressão à Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal, obtido pela Agência Estado.
Foi a partir da apreensão de 114 quilos de cocaína em Buriticupu (MA), em poder de cinco traficantes. A cocaína vinha de Barrancominas, na Colômbia. A partir daí, a PF iniciou uma série de outras apreensões, como de 60 quilos da droga em Breves (PA), em outubro de 1998.
Ainda no ano passado, segundo a PF, o grupo chegou a enviar 191 quilos de cocaína na França, apreendida no Aeroporto de Paris. A droga passou por Paramaribo (Suriname) e depois por Guadalupe, até chegar na capital francesa. A rota foi montada para desviar a atenção da polícia brasileira que estava monitorando apenas a conexão Colômbia-Brasil.
O Suriname e a Guiana Inglesa passaram a ser utilizados na metade do ano passado como uma rota mais frequente pelo narcotráfico, estabelecendo como ponto fixo de desova da droga a Floresta Amazônica, de onde ia direto para os Estados Unidos e a Europa. O novo esquema ficou estabelecido para a PF depois que a polícia guianense descobriu um avião em pane, pilotado por traficantes brasileiros.
Antes de serem flagrados, os traficantes atearam fogo na aeronave, supostamente carregada de cocaína próximo ao Rio Exekeka, na cidade de Bartica, na Guiana Inglesa. Esta conexão também estava ramificando em Roraima, onde a PF apreendeu US$ 150 mil com Euclides Erian da Silva, conhecido por ‘‘Eion Saigo Ioclin’’, em Boa Vista, capital do Estado.
Pelos levantamentos da PF, o dinheiro pertencia a um doleiro guianense e era para pagar a cocaína perdida durante o incêndio do avião brasileiro. Este ano, nova apreensão de dinheiro. Desta vez, Maxuel Nunes, cunhado de Leonardo Mendonça foi preso também em Boa Vista, com mais US$ 40 mil.

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