Da Redação
A morte de dois delegados e de um escrivão do município de Umuarama, Região Noroeste do Estado, pode ter relação com o tráfico de drogas e com o crime organizado no Paraná. A informação é do suplente da CPI do Narcotráfico, deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT), que solicitou à comissão a apuração das mortes.
Segundo o parlamentar, os delegados Edson José de Camargo Barros e José Leme Pereira, além do escrivão Carlos Roberto Mello, morreram num acidente ‘‘bastante esquisito’’ quando retornavam do município de Guaíra depois de terem tomado o depoimento de um traficante. O acidente aconteceu no dia 6 de maio do ano passado, quando uma carreta de Campo Grande (MS) bateu de frente contra o carro ocupado pelos policiais na PR-487, entre os municípios de Terra Roxa e Francisco Alves.
Segundo Padre Roque, o motorista do caminhão, Moacir Vieira dos Santos, alegou ter perdido o controle do veículo ao tentar desviar de um buraco no asfalto. O deputado montou um dossiê sobre o acidente e a suspeita de que o buraco não existia na época da colisão.
No mesmo período em que os policiais morreram, o deputado disse que outros quatro assassinatos foram registrados em Umuarama. O petista estranhou que os casos não foram investigados.
Esses assassinatos também estão no dossiê de Padre Roque à CPI. De acordo com o parlamentar, as mortes trariam indícios de ligação com o tráfico de drogas na região.
O Paraná é apontado como caminho na rota de transporte das drogas vindas do Paraguai com destino a São Paulo. ‘‘Muitos carregamentos de drogas apanhados em São Paulo saíram de Umuarama e Guaíra, na região do lago da Usina de Itaipu, fronteira com o Paraguai’’, observou.
O deputado disse que não há prazo para a CPI iniciar as investigações no Paraná pelo fato de os deputados estarem apurando denúncias de outros Estados. ‘‘Não posso avançar o sinal por que a CPI não pode apurar tudo ao mesmo tempo’’, assinalou ontem à tarde.
O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Ricardo Noronha, amenizou o envolvimento do Paraná na rota do narcotráfico. Ele disse ontem ter certeza que a quadrilha de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, não está estruturada em Curitiba, apesar de um dos líderes do grupo, Jaime Amato Filho, morar há dois anos no bairro da Fazendinha, de onde controla os carregamentos de cocaína, crack e maconha. Na avaliação de Noronha, a droga apenas ‘‘passa’’ pelo Paraná, mas não há aqui um ‘‘QG de distribuição’’.
Noronha afirmou que pediu à Delegacia Antitóxicos uma investigação sobre as ligações de Beira-Mar no Estado, mas até agora nada foi encontrado. As investigações mais aprofundadas que porventura venham a ser feitas serão por conta própria da Polícia do Paraná.
Até ontem, a delegacia geral da Polícia Civil não tinha conhecimento dos grampos colocados nos telefones de Jaime Amato Filho. As fitas divulgadas com exclusividade pela Folha, na edição de anteontem, revelaram como funcionava o esquema para trazer droga de Capitão Bado, no Paraguai, para o Brasil. (Carmem Murara, Dimitri do Valle e Leandro Donatti)Acidente de carro envolvendo dois delegados e um escrivão de Umuarama pode ter relação com narcotráfico, diz Padre Roque
Albari RosaPONTO DE VISTANoronha: avaliação de que droga apenas ‘‘passa’’ pelo Paraná, mas, segundo ele, não há aqui um ‘‘QG de distribuição’’

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