CPI investiga ligações de Janene para petistas
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sábado, 05 de novembro de 2005
Diego Escosteguy e Marcelo de Moraes<br> Agência Estado 
Brasília - Dados do sigilo telefônico do deputado José Janene (PP-PR), descobertos pela CPI dos Correios, complicam mais a sua situação política. A comissão apurou que Janene trocou pelo menos 202 telefonemas com a empresa SMP&B, de Marcos Valério Fernandes de Souza, ou com alguns de seus funcionários. A CPI também descobriu que o líder do PP ligou pelo menos 34 vezes para o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, entre 2003 e 2004.
José Janene teve sua cassação pedida ao Conselho de Ética da Câmara pelo relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), por suposto envolvimento com o chamado esquema do mensalão. Agora, seu processo está sendo avaliado pelos integrantes do conselho, que devem aceitar seu pedido de cassação.
O levantamento da troca de telefonemas com a principal empresa de Marcos Valério é considerado mais um indício da participação de Janene no esquema do mensalão. Serraglio já pedira sua cassação depois da descoberta dos saques feitos por João Cláudio de Carvalho Genu, chefe de gabinete de Janene, na conta de Marcos Valério no Banco Rural. Ao todo, Genu fez saques de R$ 4,1 milhões, entre 17 de setembro de 2003 e 5 de julho de 2004.
A CPI suspeita que Janene, como líder do PP, supostamente receberia esse dinheiro para repassar a outros integrantes da bancada de seu partido para que votassem no Congresso conforme os interesses do Palácio do Planalto.
O rastreamento feito pela CPI dos Correios mostra que Janene trocou 46 ligações telefônicas com a SMP&B com a qual aparentemente não manteria contato profissional , entre 2003 e 2005.
Tampouco Janene teria qualquer razão para receber ou discar 117 vezes para Orlando Martins, chefe dos office-boys da SMP&B, cujo aparelho celular o próprio Marcos Valério utilizava com frequência, segundo admitiu para os integrantes da CPI dos Correios. Janene trocou 39 ligações com Adriana Fantini Boato, outra assessora de Valério na SMP&B.
Os integrantes da CPI também descobriram que Janene recebeu seis ligações da corretora de valores Bônus Banval, entre 10 de setembro de 2003 e 2 de junho de 2004. Os saques feitos por Genu começam a ocorrer justamente em 17 de setembro de 2003, apenas 7 dias depois da primeira ligação recebida por Janene da Bônus Banval. A corretora está sendo investigada pela CPI por supostamente ter sido responsável por repasses de recursos de Valério para PT e PP.
Líder do PP, Janene também manteve contato frequente com dirigentes do PT. A CPI encontrou 34 telefonemas dele para Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, entre 2 de junho de 2003 e 2 de setembro de 2004. E localizou 5 trocas de chamadas com o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, todas em 2004.
Os dados do sigilo telefônico de José Janene obtidos pela CPI dos Correios ainda são parciais. Eles não incluem todas as ligações feitas pelo deputado pelos seus aparelhos, mas apenas dados envolvendo alguns destinatários específicos, como os funcionários da SMPB, Delúbio Soares e Silvio Pereira.
A assessoria de imprensa de Janene informou que ele está se recuperando da cirurgia que fez para implante de células-tronco no coração.


