Agência Estado
De Brasília
A CPI do Narcotráfico na Câmara investiga a ligação do esquema do empresário Paulo César Farias, o PC, que foi encontrado morto em junho de 1996, com o narcotráfico e apura se o grupo do ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Collor continua atuando. Os integrantes da CPI receberam a cópia de um depoimento de um usineiro de Alagoas dado à Polícia Federal (PF) há dois anos sobre os negócios que PC teria com o tráfico de drogas. A deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), uma das integrantes da comissão, disse ontem que os parlamentares vão investir nas investigações sobre o esquema.
O relator da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE), admitiu ontem a possibilidade de ser pedida a acareação entre o deputado Augusto Farias (PPB-AL), irmão de PC Farias, e o caminhoneiro Jorge Meres, que acusou o parlamentar, na semana passada, de envolvimento com narcotráfico.
Segundo Meres, Augusto Farias faz parte de uma quadrilha integrada por Hildebrando Pascoal, do Acre, que teve o mandato cassado e acusado de comandar um esquema de roubo de cargas, tráfico de drogas e de armas em vários Estados, entre os quais Maranhão, Alagoas e Acre. A acareação entre o caminhoneiro e o advogado William Marques, que também integraria o grupo, não foi realizada ontem. A PF não havia conseguido localizar o advogado.
Os integrantes da comissão deram entrada ontem na presidência da Câmara com o pedido de cassação do mandato de José Aleksandro da Silva (PFL-AC), o ‘‘Zé Alex’’, que assumiu a vaga de Pascoal, por quebra de decoro. Zé Alex é acusado pela CPI de mentir em declaração de bens.
O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), confirmou que quinta-feira, em reunião da executiva, será designado o relator do pedido de expulsão de Zé Alex do partido.

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