CPI investiga denúncia de tortura no PR
Arquivo FolhaVIOLÊNCIAPadre Roque: É uma barbárie. Desde a violação sexual até afogamento e provocação de queimaduras pelo corpo CRIME ORGANIZADO CPI investiga denúncia de tortura no PR Depoimentos de presos apontam violência da Polícia em Curitiba e Ponta Grossa e serão anexados às investigações Luciana Pombo De Curitiba A CPI do Narcotráfico promete investigar suposto envolvimento da Polícia Civil do Paraná em casos de tortura. Único representante do Paraná na CPI, o deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT) colheu anteontem depoimentos na Prisão Provisória do Ahu em Curitiba que, segundo ele, serão anexados às investigações da comissão parlamentar. Uma barbárie. Desde a violação sexual até afogamento e provocação de queimaduras pelo corpo, declarou o deputado. Os depoimentos mais graves foram dados pelos presos Carlos Gonçalves de Lima e Antonio Carlos Cordeiro Capel. Lima, preso por um homicídio contra o empresário Ciro Pellizzetti, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, acusa o ex-delegado-geral da Polícia Civil João Ricardo Képes Noronha de ser o responsável pelas torturas que diz ter sofrido. Ele me mostrou as marcas de queimadura que tem no rosto até hoje, relatou. Lima teria sofrido a mando de Noronha todo o tipo de tortura: pau-de-arara, ameaças de violação sexual com cabos de madeira e armas, afogamento e queimaduras. Mesmo com tudo isso, ele diz que não confessou o crime. Mesmo assim, foi condenado. Capel, o outro preso ouvido pelo parlamentar no Ahu, teria fornecido diversos dados sobre a corrupção dentro da Polícia Civil. Ele confirmou denúncias que já foram feitas na CPI, em Curitiba. E descreveu uma sala de tortura de uma delegacia da cidade. Deu todos os dados, desde localização até materiais usados de tortura. Padre Roque disse que está agora preocupado com a integridade física de todos os presos que estão se dispondo a fazer denúncias. O Marrom (Gilberto Chagas Ramos) e o (Humberto) Terêncio contaram que estão sendo ameaçados. Eles estão apavorados. Estamos exigindo uma proteção especial para eles, salientou. Outras denúncias sobre tortura envolvendo o delegado Noronha já foram feitas em público, durante a CPI, pelo traficante Marcelo Mateus dos Santos (nome fictício). Este é um crime inafiançável. Pior do que o próprio tráfico de drogas e está se espalhando por todo o Paraná, afirmou, relatando que já recebeu denúncias de salas de tortura em Ponta Grossa, a 110 quilômetros de Curitiba. O advogado Luiz Alberto Machado, que defende Noronha, disse ontem que Padre Roque está perdido. Quer dizer que o Noronha não é mais narcotraficante, ele é torturador, ironizou ele. Luiz Alberto, que acredita que conseguirá a revogação da prisão temporária de Noronha na semana que vem, acusou os parlamentares da CPI do Narcotráfico de estarem negociando benefícios com os presos em troca de depoimentos. Eles prometem mentiras para os traficantes falarem, argumentou. De acordo com o advogado, o nome de Noronha está sendo jogado na lama. Estão jogando o nome do melhor delegado operacional do Paraná na lama, sem qualquer direito de defesa. Eu me sinto como no tempo da Inquisição, complementou Luiz Alberto.





