CPI investiga casa de câmbio de Londrina
CPI investiga casa de câmbio de Londrina
Empresa teria sido usada por concessionária de veículos de irmãos do deputado Augusto Farias para compra de R$ 900 mil em dólares
Arquivo FolhaÁLIBIO deputado Augusto Farias afirma, em requerimento à CPI, que depósitos são tentativa de incriminá-loPaulo San Martin
De Campinas
Especial para a Folha
Uma história confusa, que começa com três depósitos de R$ 300 mil cada em favor de empresa ligada ao deputado Augusto Farias (PPB-AL) e que pode envolver uma casa de câmbio de Londrina, levou a CPI do Narcotráfico a pedir a quebra do sigilo bancário da Blumare Veícolo Ltda, concessionária Fiat de Maceió. A Blumare pertence a Luiz Romero Cavalcante Farias e Carlos Gilberto Cavalcante Farias, irmãos de Augusto. A CPI já tem nas mãos o nome desta casa de câmbio e o número da conta bancária, em Londrina, onde o dinheiro para realizar a operação teria sido depositado. O nome está sendo mantido sob sigilo.
No último dia 27, respectivamente às 10h22, 10h23 e 10h24, os três depósitos que totalizam R$ 900 mil foram feitos em favor da Blumare Veícolo em um caixa eletrônico da agência 0472 do Banco Bradesco, no bairro Copacabana, no Rio de Janeiro. Na quarta-feira passada, os jornais Folha do Paraná/Folha de Londrina e Correio Popular, de Campinas, tiveram acesso com exclusividade aos comprovantes destes depósitos, através de um informante não identificado.
Os jornais entraram, então, em contato com o gerente financeiro da Blumare, Manoel Wenceslau Moreira dos Santos, que confirmou os depósitos, mas afirmou que haviam sido estornados (cancelados) no mesmo dia. Não havia dinheiro nos envelopes, afirmou. A agência do banco confirmou a versão de Santos e disse que os envelopes estavam vazios, sem qualquer identificação do depositante e sem qualquer conteúdo.
Um dia depois, a CPI do Narcotráfico recebeu um requerimento enviado pelo deputado Augusto Farias, que seria um suposto álibi em seu favor. No requerimento, o deputado afirma que os depósitos são uma tentativa de incriminá-lo. Ele diz ter recebido, dias antes dos depósitos terem sido apresentados, um telefonema de um homem identificado apenas como Samir, que ameaçava detoná-lo. Logo em seguida ocorreu este fato na empresa de meus irmãos (...) Isso deve estar sendo articulado por pessoas inescrupulosas com o intuito de forjar provas contra minha pessoa, afirma o requerimento.
O gerente financeiro da Blumare também vê na história indícios fortíssimos de alguém tentanto incriminar o deputado. Todos sabem que o carro mais caro que vendemos na Blumare é o Alfa 166, que custa R$ 160 mil. Um depósito de R$ 900 mil em nossa conta realmente não se justificaria, afirmou Santos.
Assim que o requerimento de Augusto Farias chegou à CPI, o mesmo informante não identificado disse que, no dia seguinte aos supostos depósitos, a Blumare teria comprado R$ 900 mil em dólares, em uma casa de câmbio de Londrina. E que isso seria uma comprovação de que esta quantia passou pelas mãos da Blumare naquele dia.
Diante das idas e vindas e da confusão que envolve a história, a CPI decidiu pedir a quebra do sigilo bancário da Blumare, afirma o deputado Robson Tuma (PFL-SP), integrante da CPI. De acordo com ele, os depósitos podem realmente constituir em uma armação. Mas esta armação pode ter um segundo sentido, o de revelar para nós que a Blumare realiza operações vultuosas, inclusive com a compra de dólares, que precisam ser investigadas. E nós vamos investigar, garantiu.





