A CPI dos Bancos identificou Luiz Fernando de Souza Maia como ‘‘laranja’’ do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes do grupo das empresas Macrométrica. Na avaliação da comissão, Lopes continuou se beneficiando da distribuição de lucros da Macrométrica no período em que ocupou o comando do BC. Extrato de conta corrente de Maia no Itaú encontrado no apartamento de Lopes em busca realizada pelo Ministério Público aponta retiradas para Ciça, apelido da mulher do ex-presidente do BC, Araci Pugliese, e para outros integrantes da família (o enteado Bruno e a filha Stefânia).
O extrato, com a movimentação da conta entre os dias 15 de dezembro e 16 de janeiro de 1998, aponta uma transferência de R$ 500 para o próprio Lopes. Ao lado do depósito, aparece a anotação manuscrita ‘‘prof./dep’’. Os documentos encontrados durante a busca eram endereçados ao ‘‘professor Francisco’’. Além do extrato, a CPI dos Bancos distribuiu ontem duas planilhas com controle das retiradas da Macrométrica nos meses de janeiro e maio do ano passado.
Nessa época, Chico acumulava os cargos de diretor de política econômica e de política monetária do BC. Na planilha de janeiro, o valor depositado na conta de Maia é de R$ 4.582,09. Em maio, o depósito chegou a R$ 4.607,50. Da conta de Maia, saíam depósitos em cheque e dinheiro para a família de Lopes.
Maia entrou para o Grupo Macrométrica em 1995, ano em que Lopes foi para o BC. A movimentação na sociedade revela que Maia manteve-se durante quase três anos como uma espécie de guardião das quotas de Araci Pugliese, que, por sua vez, havia recebido a parte de Lopes no grupo.

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