CPI garante visibilidade a candidatos
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sábado, 29 de junho de 2002
Rodrigo Sais<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Três dos principais candidatos ao governo do Estado nas eleições de outubro têm pelo menos um ponto em comum: já estiveram na berlinda como membros de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Embora o resultado prático das comissões, se existentes, demorem a aparecer, as CPIs garantem com certeza a seus integrantes visibilidade instantânea junto à população, o que pode ser revertido em votos.
Os candidatos ao governo reconhecem o valor desse tempo de exposição na mídia para tornarem seus nomes conhecidos do eleitorado. O senador Alvaro Dias (PDT) tentou aproveitar uma brecha. Chegou a mencionar a CPI do Futebol, realizada no ano passado, na propaganda eleitoral de seu partido no início deste ano. A Justiça Eleitoral acabou proibindo a veiculação da inserção, por considerar que a mesma privilegiava o senador antes de sua candidatura ao governo ser registrada oficialmente.
Após presidir uma CPI com um tema que atrai tanto o brasileiro, Alvaro destaca seus benefícios. A CPI é um instrumento de promoção da atividade parlamentar, mas também mostra o comprometimento com as questões importantes da sociedade, afirmou. O trabalho ganha visibilidade, mas só se for feito de maneira correta, como foi o caso da CPI do Futebol, que mudou a legislação a respeito do tema.
Já o deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT) não tem lembranças tão boas da época que coordenou os trabalhos da CPI do Narcotráfico no Paraná, em 2000. Por ser um tema polêmico, acabei criando inimizades nas cidades onde realizamos as reuniões, lembrou. Sem contar que a minha indicação para ser candidato ao governo para o PT poderia ter sido muito mais tranquila se eu estivesse correndo o Estado em vez de me preocupar com a CPI. Foram nove meses que minha campanha esteve praticamente parada.
A participação do senador Roberto Requião (PMDB) como relator da CPI dos Precatórios está um pouco mais distante da memória do eleitor. Desde 1997 as conclusões da CPI ainda tramitam na Justiça. A recompensa da CPI é a satisfação pessoal por ter conseguido pegar quem está metendo a mão nos cofres públicos. A questão da visibilidade é secundária, comentou.


