CPI faz acareação hoje
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quarta-feira, 09 de maio de 2001
Maria Duarte e Luciana Pombo De Curitiba 
O ex-funcionário do Palácio Iguaçu Gilberto Maria Gonçalves acusado pelo cabo da PM Luiz Antonio Jordão de fazer escutas ilegais deve depor hoje na CPI da Telefonia da Assembléia Legislativa. Gonçalves é considerado peça-chave nas investigações da CPI. Segundo relato do ex-funcionário da operadora GVT, João Batista Cordeiro preso no dia 4 de abril recolhendo gravadores em uma caixa da Telepar em Araucária o material foi entregue a Gonçalves, no estacionamento do Palácio Iguaçu, na noite do dia seguinte. Gonçalves seria subordinado a Gerson Guelmann, secretário chefe de Gabinete do governador Jaime Lerner (PFL).
Gonçalves foi convencido a depor pelo relator da CPI, Algaci Túlio (PTB). Além do depoimento de Gonçalves, está marcada para hoje acareação entre o cabo Jordão, o soldado Afrânio de Sá, Cordeiro e Gonçalves. Túlio conversou cerca de dez minutos, por telefone, com Gonçalves.Estou sem emprego e com aluguel atrasado dois meses, reclamou. Ele afirmou que o armário com central telefônica (com capacidade para dois mil troncos ou cinco mil ramais) apreendida pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) em sua casa era da campanha do PFL e que Guelmann sabia que o equipamento estava com ele.
Os deputados foram até a casa de sua ex-mulher Helenice Aparecida Gonçalves, no Bairro Alto, em Curitiba, para ver os equipamentos de telefonia que Gonçalves guardava em casa. No entanto, a visita acabou frustrada porque o material já havia sido encaminhado à Central de Inquéritos para perícia, que deve estar concluída hoje. Helenice disse que trabalhava no comitê eleitoral do PFL como telefonista.
A Telepar informou ontem que não encontrou provas de grampo no telefone da ex-secretária da Administração Maria Elisa Paciornik em outubro de 1999, apesar da PIC ter constatado o grampo. O gerente jurídico da Telepar, Sérgio Roberto Vosgerau, disse que foi detectada irregularidade, que poderia ser simplesmente uma extensão de linha. Nesse caso, seria natural que a operação tivesse sido realizada dentro da Telepar. O ex-chefe de segurança da Telepar, Edgar Fontoura Filho, disse à CPI da Telefonia que a irregularidade foi feita dentro da Telepar.
O empresário Naun Galperin, dono da Delta Distribuidora de Petróleo, foi liberado na madrugada de ontem da Delegacia de Araucária, após passar quatro horas preso. Ele foi acusado de agiotagem e obstrução do trabalho da Justiça. Galperin estava prestando informações na CPI da Telefonia anteontem à noite, quando foi preso. Ele foi convocado pela CPI porque foi citado em depoimentos anteriores. A prisão havia sido decretada pela Justiça de Araucária e revogada horas depois. Revoltado, Galperin convocou ontem a imprensa para uma entrevista e denunciou o empresário Ezídio Goerino filho da proprietária da concorrente Ocidental Distribuidora de Petróleo de tentar denegrir sua imagem. Os problemas com a Ocidental teriam iniciado em 1996, quando Galperin teria emprestado R$ 50 mil para Goerino.


