CPI estadual faz ofensiva no interior
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quinta-feira, 07 de setembro de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
Desde anteontem a CPI estadual do Narcotráfico está realizando uma operação sigilosa no Paraná, com o apoio de agentes do serviço reservado da Polícia Militar (P2) e de representantes da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). O presidente da comissão parlamentar de inquérito, deputado Algaci Túlio (PTB), no entanto, alegou motivos de segurança para não divulgar os locais e nem os motivos para realizar a operação.
Não posso dizer nada. Estamos em vários pontos do Estado, em cinco ou seis cidades, limitou-se a informar. A Folha conseguiu apurar que as atividades se concentram nas proximidades de Londrina e Cornélio Procópio, e que até um avião está sendo usado para sobrevoar a região. Algaci confirmou que a Assembléia Legislativa pagou o aluguel da aeronave e que, na quarta-feira, acompanhou pessoalmente o começo dos trabalhos no interior.
Não podemos ficar dando informações porque isso vai, com certeza, atrapalhar a sequência da operação, disse Algaci, somente comentando que estão sendo investigadas várias coisas. O presidente da CPI do Narcotráfico está monitorando a continuidade dos trabalhos por telefone, de Curitiba.
O deputado informou que a operação pode durar até o final de semana. Os policiais militares podem estar investigando a ligação de empresários do interior com o crime organizado. Essas pessoas também poderiam manter ligações com Paulo Mandelli e Joarez França Costa, o Caboclinho. Os dois estão sendo considerados desde a passagem da CPI nacional do Narcotráfico pelo Paraná, no começo de março os reis dos desmanches de automóveis roubados. Caboclinho está preso no presídio do Ahú, em Curitiba, e Mandelli obteve um
habeas-corpus no Tribunal de Justiça que suspendeu o pedido de prisão temporária contra ele.
A possibilidade de uma investigação mais aprofundada sobre a utilização de cidades do interior como rota do tráfico internacional de drogas (principalmente cocaína) também não está descartada. A iniciativa dos deputados em realizar uma investigação desse porte pode ter sido embasada nessa hipótese. Mas também pode ser atribuída às críticas de que a CPI estadual do Narcotráfico ainda não mostrou serviço.
Em relatório parcial apresentado no dia 14 de agosto, os deputados que integram a CPI revelaram que a comissão realizou 56 reuniões nos últimos quatro meses, ouviu 82 depoimentos, recebeu 366 denúncias e conseguiu que três pessoas fossem presas o traficante e suspeito de homicídio Cláudio Vicente de Oliveira, e os ex-policiais civis Paulo Adriano Pereira, o Paulo Paulada, e Adão da Silva. Desde aquele dia, porém, as investigações da CPI passaram a se concentrar nas denúncias de comércio ilegal de cadáveres em Curitiba.
A CPI estadual do Narcotráfico foi instalada no dia 14 de abril e, há 15 dias, já está trabalhando dentro do prazo de prorrogação de suas atividades, que encerra no dia 15 de outubro.


