CPI espera possível prova do mensalão
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segunda-feira, 25 de julho de 2005
Fernanda Krakovics<br>Folhapress 
Brasília - O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou ontem que a lista de pessoas autorizadas a receber o dinheiro sacado das contas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza é ''pólvora pura'', porque comprovaria a existência do ''mensalão''. Esse material está no STF (Supremo Tribunal Federal) e deve chegar hoje à tarde à comissão. Esses documentos foram apreendidos pela Polícia Federal no Banco Rural em Minas Gerais e faziam parte de um inquérito da 4 Vara da Justiça Federal de Minas Gerais. Como na lista de beneficiados aparecem parlamentares, que têm foro privilegiado, o processo foi enviado ao Supremo.
''A documentação é pólvora pura até agora'', disse Serraglio. Questionado se a lista seria uma prova do ''mensalão'', ele respondeu que sim. ''Passando pela perícia da Polícia Federal, é prova material, não precisa nem de muita conversa.'' Ainda de acordo com o relator, ''prossegue se confirmando a versão dada pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em relação ao propinoduto de Marcos Valério''.
O presidente licenciado do PTB afirmou que o então tesoureiro do PT Delúbio Soares pagava uma mesada de R$ 30 mil a deputados para que eles votassem com o governo. Segundo Jefferson, o empresário Valério seria o operador desse esquema.
Do material que está no STF constariam as pessoas autorizadas por Delúbio a receber recursos repassados, na maioria das vezes, pela diretora financeira da SMPB, Simone Vasconcelos. Haveria ainda um outro tipo de lista, a de políticos pagos com autorização direta de Valério, a maioria deles de Minas.
Os parlamentares esperam que a mulher do publicitário, Renilda Santiago, dê hoje informações a CPI a respeito da origem e do destino desses recursos. Marcos Valério e Delúbio afirmaram que o dinheiro veio de empréstimos bancários repassados pelas agências de publicidade ao PT para um caixa dois. A suspeita, no entanto, é que as empresas lavavam doações de campanha para o partido e para políticos.


