A denúncia de superfaturamento de remédios adquiridos pela Prefeitura de Joaquim Távora (53km ao sul de Jacarezinho) foi encaminhada ontem à Polícia Federal (PF) de Londrina. A iniciativa partiu da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura o caso pela Câmara de Vereadores. O Ministério Público (MP) local também investiga a acusação de fraude em licitação, entregue no último dia 17, contra o prefeito Wiliam Walter Ovçar (PSL) pelo ex-secretário municipal de Saúde Carlos Henrique Castanheira.
A cópia da denúncia foi postada ontem via correio à PF londrinense, informou o relator da CPI, vereador Emílio Calil Neto (PSDB). De acordo com ele, a reunião feita entre os membros da comissão na noite de quarta-feira decidiu pelo envio, uma vez que há a suspeita de que remédios e materiais médico-hospitalares tenham sido adquiridos com verba federal.
Na denúncia formulada ao MP, o ex-secretário apresentou listas de comparação de preços nas quais os mesmos produtos comprados pela administração aparecem com valores de 40% a 50%, e até 930% mais altos. Para isso, Castanheira consultou ex-fornecedores da Prefeitura, hospitais de cidades vizinhas e a associação mantenedora da Santa Casa de Joaquim Távora, presidida pelo vice-prefeito Gelson Nassar (PSL).
De acordo com o relator da CPI, o grupo recebeu esta semana a ata de uma reunião feita mês passado no departamento de Saúde do município, o que motivou a convocação de outras 12 pessoas para mais tomadas de depoimento. Até agora, outras nove já foram ouvidas. ''Vamos ouvir as demais na próxima segunda-feira, e nessa mesma semana, o prefeito. São pessoas que atuam na administração, ou que estão lotadas na Saúde, mas vindas de instituições que recebem verba municipal'', apontou Calil Neto. Ainda segundo o parlamentar, a CPI decidiu esta semana fazer uma acareação entre ex-membros da comissão de licitação e o ex-secretário de Saúde.
O prefeito de Joaquim Távora - que nega a acusação de fraude nas licitações questionadas - afirmou esta semana que nos próximos dias entregará à Câmara e ao MP um relatório prévio da sindicância instaurada no Executivo para investigar o caso.

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