Curitiba - A CPI do Banestado está convencida de que houve irregularidades na identificação do corpo do ex-diretor da Banestado Leasing e ex-secretário de Esportes e Turismo Osvaldo Magalhães dos Santos, morto em setembro de 1998 em um acidente de carro. Os deputados receberam quase toda a documentação da morte e a equipe técnica está preparando o pedido de exumação, que deve ser entregue à Justiça Federal na próxima semana.
Osvaldo Magalhães é acusado pelo Ministério Público Estadual e Federal de causar prejuízo de R$ 400 milhões (ou R$ 600 milhões, segundo a CPI) ao Banestado. Ele teria autorizado quase 30 empréstimos a empresas que não tinham condições financeiras de devolver o dinheiro.
No acidente, que ocorreu na BR-277 em Palmeira (40 quilômetros ao sul de Ponta Grossa), Osvaldo Magalhães bateu o veículo Ômega que dirigia contra um caminhão. O corpo dele ficou mutilado e o caixão permaneceu fechado durante o velório. Na época, houve boatos de que ele teria forjado a própria morte e estaria vivendo no exterior, mas não houve nenhuma investigação. Durante os depoimentos da CPI, foi mencionada a possibilidade de fraude.
''O nosso pedido estará muito bem embasado. Todas as informações da morte levantam suspeitas, muita coisa foi feita irregularmente'', afirmou o deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB), relator da CPI. O presidente da CPI, Neivo Beraldin (PDT), é mais cauteloso. ''Houve muitas falhas, mas ainda estamos apurando o caso como um todo'', disse.
A CPI está realizando trabalhos internos nesta semana. De acordo com Beraldin, o governo estadual gastou irregularmente cerca de R$ 5 milhões em treinamento de 9 mil funcionários do Banestado. O investimento teria sido feito após a decisão da privatização do banco (31/03/1998) e assim configurava má aplicação dos recursos públicos, já que o Banestado teria outro dono em breve. O banco foi vendido para o Itaú em agosto de 2000.

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