CPI encontra compra superfaturada na Saúde
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terça-feira, 08 de agosto de 2006
Eugênia Lopes e João Domingos<br>Agência Estado 
Brasília - O deputado Júlio Redecker (PSDB-RS) denunciou ontem a compra por preços superfaturados em quase 50% de um lote de 1.108 aspiradores de secreções destinados ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Atualmente, de acordo com o deputado, cada aparelho pode ser adquirido por R$ 2 mil. O governo, no entanto, pagou em setembro do ano passado R$ 2.980 por aparelho, conforme notas fiscais em poder da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Sanguessugas.
Redecker, que é encarregado pela CPI de investigar o envolvimento do Executivo com a máfia dos sanguessugas, disse que apurou pessoalmente o superfaturamento. ''É uma malandragem de quase R$ 1 milhão''. O deputado afirmou ainda que descobriu o preço menor depois de averiguar uma nota fiscal de venda de aspiradores de secreção emitida pela Instrumental Científico para o Samu. ''Os aspiradores foram adquiridos pelo pregão eletrônico, o que deveria ter barateado o preço deles e não encarecido'', afirmou.
Com base no depoimento do empresário Darci Vedoin à CPI dos Sanguessugas, segundo o qual o Ministério da Saúde pagava R$ 122.500,00 por ambulâncias que poderiam ser compradas por R$ 100 mil, Redecker apresentou ontem requerimento de convocação à CPI dos Sanguessugas de Irani Ribeiro de Moura, coordenadora geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde. Ele quer que ela explique se é verdade que ambulâncias foram compradas pelo Samu com mais de 20% de sobrepreço.
O juiz Jefferson Schneider, da 2 Vara Federal da Justiça de Cuiabá (MT), acabou com o sigilo das investigações feitas pela Justiça Federal no estado em relação aos depoimentos e investigações que partiram da Operação Sanguessuga, da Polícia Federal. A informação foi dada pelo presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-SP).
Gabeira - Irritado com as acusações de que o PSB teria usado o Ministério da Ciência e Tecnologia para obter ''ganhos eleitorais e financeiros'', o presidente nacional em exercício do partido, Roberto Amaral, protocolou ontem no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara um pedido de cassação do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), sub-relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Sanguessugas. Amaral argumentou que Gabeira feriu o Código de Ética, cometendo abusos e ofensas à legenda. Segundo Gabeira, emendas foram liberadas para a compra de ônibus de Inclusão Digital do Ministério que eram vendidos a preços superfaturados para prefeituras num esquema semelhante ao das ambulâncias.
O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) pediu ontem afastamento da sub-relatoria de investigação da CPI dos Sanguessugas. Depois de uma discussão calorosa com o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), Salgado disse que deixa a sua função por discordar dos rumos da investigação. (Com Folhapress)


