Brasília - A Polícia Federal e a CPI dos Sanguessugas identificaram, a partir da quebra dos sigilos telefônicos dos envolvidos na tentativa de compra do dossiê Vedoin, o piloto que teria sido contatado pelos petistas para transportar de São Paulo a Cuiabá o dinheiro da negociata. Segundo o vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), os dados repassados pela PF mostram que há troca de telefonemas entre o piloto Tito Lívio Ferreira da Silva Júnior e suspeitos de envolvimento na tentativa de compra do dossiê.
O deputado diz que os telefonemas ocorreram principalmente nos dias 13 e 14 de setembro, às vésperas da prisão de Valdebran Padilha e Gedimar Passos com o R$ 1,75 milhão no Hotel Ibis Congonhas, em São Paulo. O rastreamento mostra conversas com Valdebran e com o empresário Luiz Antônio Vedoin, dono da Planam e acusado de fornecer o dossiê.
O piloto também ligou nesses mesmos dias para uma das divisões do Serviço Regional de Aviação Civil (Serac), órgão ligado à Aeronáutica e responsável pelo controle de empresas de táxi aéreo. Para Jungmann, Tito Lívio seria dono do avião que transportaria o dinheiro. ''É um elo entre os dois esquemas que precisa ser explorado'', completa o deputado, que pediu a convocação de Tito Lívio para depor na CPI. Uma equipe da PF de Cuiabá vai a Campo Grande (MS) ouvir o piloto.
Tito Lívio afirmou que conversou ontem com delegado da PF - que não soube identificar - e prestou os esclarecimentos. ''Já falei com o delegado, comigo nada foi tratado. Nem conheço esses caras'', declarou, referindo-se a Valdebran e Vedoin. ''Existiu um contato, com o seu Arlindo. Ele quem fez a cotação do vôo'', explicou o piloto, que diz ter um avião de acrobacias, e não de transportes.

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