CPI e 'My Way' emperram reestruturação da Petrobras
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2015
Tânia Monteiro e Lu Aiko Otta<br>Agência Estado 
Brasília - A corrida contra o tempo da presidente Dilma Rousseff para encontrar um nome com credibilidade no mercado para reerguer a Petrobras ganhou ontem dois novos obstáculos: a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para apurar desvios na Petrobras e a deflagração da nona etapa da Operação Lava Jato. Os dois elementos reforçam o que é apontado nos bastidores como o maior empecilho a encontrar um substituto para a atual presidente, Graça Foster: o risco de surgirem irregularidades ainda não detectadas.
Dilma passou o dia em contatos para encontrar um nome, auxiliada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. A intenção do Planalto é anunciar a nova diretoria hoje na reunião do Conselho de Administração da estatal na qual será formalizada também a saída de cinco diretores e da própria Graça.
O nome mais cotado continuava sendo o do presidente da Vale, Murilo Ferreira. Com boa reputação no mercado, o executivo conta com a simpatia de Dilma e de Mercadante. É apontado também como alguém capaz de fazer mudanças fortes na condução da Petrobras. Seria capaz de produzir um efeito semelhante ao que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, gerou em relação à política econômica
Segundo se comenta nos bastidores, Ferreira também teria mais dificuldade em recusar a missão de chefiar a Petrobras nesse momento de incertezas do que outros executivos de mercado. Isso porque ele está na Vale, uma empresa que tem entre seus principais acionistas os fundos de pensão das empresas estatais federais. Assim, o poder de pressão do Planalto sobre ele é um pouco maior.
Na indefinição, outros nomes continuavam no páreo: Luciano Coutinho, Rodolfo Landim e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.
Em sua única aparição pública no dia, a rápida e discreta cerimônia de posse do novo ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, Dilma destacou a importância de "transformar o nosso passaporte do pré-sal em qualidade educacional". Ela, porém, não mencionou a estatal em momento algum.
No mesmo evento, que ocorreu pela manhã, o ministro de Relações Institucionais, Pepe Vargas, disse que a presidente ainda procurava um nome para a estatal. Ele também negou que a nova etapa da Lava Jato crie constrangimentos ao governo.
Ontem, os representantes da União no conselho da Petrobras, entre eles os ex-ministros Guido Mantega e Miriam Belchior, reuniram-se no Rio de Janeiro para discutir a troca de comando da estatal. Esse deverá ser o principal tema da reunião de hoje. Mas, além desse, há outros assuntos a serem abordados. Entre eles, a estrutura da nova diretoria de Governança, Conformidade e Risco; e a apresentação dos integrantes da comissão especial que acompanha as investigações internas de corrupção. Fazem parte da comissão a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie e Andreas Pohlmann, que liderou a área de governança da alemã Siemens.
O balanço de 2014 da empresa não está na pauta. A construção de um mecanismo para registrar as perdas provocados pelo esquema de desvio de recursos investigado na Lava Jato tem ocupado a agenda de Levy. Segundo auxiliares, Dilma está irritada com a resistência da empresa de auditoria, Price Waterhouse, em assinar os balanços da empresa.


