Cuiabá - O empresário Luiz Antônio Vedoin, 31, listou à Justiça os nomes de 63 deputados federais que, segundo ele, receberam propina para fazer emendas ao Orçamento destinando verbas para compra de ambulâncias superfaturadas. Vedoin entregou à Justiça comprovantes de depósitos feitos nas contas bancárias dos congressistas.
Ele também disse que havia pagamento com malas de dinheiro dentro de gabinetes no Congresso. Com base em investigações da Polícia Federal, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu a abertura de 57 inquéritos contra parlamentares acusados de pertencer à máfia dos sanguessugas. Vedoin, um dos donos da Planam, empresa que coordenava o esquema, listou seis a mais.
Os comprovantes de depósitos bancários estavam guardados em uma pasta que não foi apreendida pela Polícia Federal durante a Operação Sanguessuga, no início de maio. Preso, Vedoin entregou os documentos à Justiça durante seu depoimento, que começou no dia 3 e terminou no dia 12. Após colaborar, o empresário foi solto.
Os depósitos eram feitos pelas empresas Planam, Klass e Santa Maria, que vendiam ambulâncias. O pagamento de propina era feito adiantado, antes da liberação da verba. Três senadores também foram listados como envolvidos. Fontes da CPI dos Sanguessugas informam que são Magno Malta (PL-ES), Ney Suassuna (PMDB-PB) e Serys Slhessarenko. Os três negam.
Ontem prosseguiu o depoimento do empresário Ronildo Medeiros. O advogado Otto Azevedo pediu a revogação da prisão de Medeiros, único acusado ainda preso, por ele estar colaborando com a Justiça.
O comando da CPI dos Sanguessugas vem sendo pressionado a protelar as investigações. A intenção é evitar que os nomes de parlamentares envolvidos com a máfia das ambulâncias sejam preservados durante o processo eleitoral.
Há ainda quem se preocupe com a imagem da Câmara. Já desgastada com o escândalo do mensalão, dificilmente a Casa conseguiria dar uma resposta diferente com relação aos sanguessugas. Não haveria tempo para que os processos de cassação fossem concluídos ainda nesta Legislatura, o que passaria nova impressão de pizza. No episódio do mensalão, 11 dos 19 acusados foram absolvidos.
Alguns integrantes da CPI defendem que na primeira semana de agosto um relatório parcial seja divulgado com os nomes dos parlamentares que aceitaram receber propina em troca de apresentar emendas ao Orçamento da União para compra de ambulâncias.
Oficialmente a CPI só termina no dia 26 de dezembro, mas há um acordo para que os trabalhos sejam encerrados em 26 de agosto, quando completados 60 dias de investigação.

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